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juninhonash Juninho Rodrigues

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over 3 years ago 2015-10-25

Final Fantasy VI

Final Fantasy no Super Nintendo chegou com o questionável quarto título que fez uma bagunça em seus nomes no ocidente e se estendeu à duas sequências da franquia dando a chance perfeita pra mudanças totais em todos os aspectos.

Final Fantasy VI é justamente o último episódio da franquia nos 16 bits, mas apesar de algumas coisas diferentes e tentativas de inovar, a Square pra variar, apresenta alguns trechos de pura preguiça para com o jogo em termos de narrativa.

Uma história relativamente acima da média e pouco melhores que seus predecessores mas não muito acima disso, um volume imensamente maior de personagens chegando ao extremo de 14 personagens e um vilão sem motivações convincentes.

O lore de FF6 é bem bolado, e tudo começa com o fim da magia e era das máquinas dominando tudo, então pra tentar retomar a magia ao mundo com o tempo são desenvolvidos os Magicites.

Terra, uma aventureira sem memórias buscando Espers (entidades invocáveis do jogo) afim de entregar ao império que a escravizava mas já no começo ela se liberta desse controle e passa a viver por si só, querendo saber as ambições do império, a origem de si mesma e etc.

É uma boa trama, conta com a melhor batalha final da franquia e tem seus momentos altos mas também possui cenas superestimadas como a tola Opera de Celes, personagens como Edgar são totalmente dispensáveis e tem um péssimo “humor” além de Gogo, Umaro e mais alguns como Strago e Relm que acrescentam pouco pra não falar que de fato acrescentam nada. Parece que foram mais visados como mecânica do que como personagens parte  de uma trama.

Mas tem muitos momentos bons, como a progressão da história e desfecho triste de Terra, as motivações de Sabin e a situação do vilarejo de Cyan. Mas pensando do lado oposto temos Kekfa, um vilão “do mau porque sim”, em NENHUM momento dentro do jogo são apresentados os motivos que o levam a trair o império e se tornar “um deus vivo”, ele só usa a desculpa do poder e fica por isso mesmo, tornando-o vazio e sem graça. Enquanto vilão ele cumpre seu papel complicando a vida dos heróis mas suas motivações quase inexistentes além do visual ridículo de palhaço o empobrecem.

Roteiros à parte, Final Fantasy VI consiste no melhor gameplay da franquia sem a menor sombra de dúvidas, apesar de ter personagens dispensáveis na narrativa, mecanicamente são ótimos e com habilidades únicas, Locke é o único que rouba, Terra é a única que se transforma, Shadow é o único que arremessa itens (e dinheiro), Cyan tem seu saque de espada, Edgar é o único com maquinários e etc, a lista é grande e cada personagem apresenta um sistema totalmente único.

As batalhas são ótimas mas o jogo consiste num desafio quase nulo por todo seu percurso, chegando a ser ridículo o fato de ter uma batalha final tão difícil, quebrando totalmente o ritmo do jogo, mas nada que uma boa estratégia e treino prévio não resolva (tanto que foi a única parte do jogo onde vi a tela de Game Over), mas a batalha por si só é realmente muito boa.

A batalha final é difícil? Sim, mas isso é, se o jogador não for atento. Com dois acessórios nada difíceis de serem achados, é fácil ter danos altíssimos, um deles te permite usar espadas nas duas mãos (originalmente só em uma e na outra algo que ajude na defesa) e o outro que permite usar mais de um ataque de uma vez. Também tem alguns equipamentos de Sabin que se corretamente equipados atacam 8 vezes no mesmo turno.

Ou seja, como o jogo não é difícil, com muito pouco de sua dedicação, você pode facilmente ultrapassar a casa dos 150 mil de dano POR TURNO.

Graficamente deixa muito a desejar, usando praticamente versões levemente melhoradas dos sprites dos jogos anteriores (Final Fantasy IV e V), os personagens são pequenos demais, feios e com modelos embaçados, e não é lá muita desculpa o tamanho do jogo quando temos ótimos exemplos de RPG’s da mesma época com gráficos consideravelmente melhores como Breath of Fire II, Secret of Mana, Illusion of Gaia e mais alguns da mesma época ou mesmo de algum tempo antes. Dá pra ver que a Square se acomodou e preocupou em gastar o menor valor possível um vez que sabia do nome da franquia.

Os sons do jogo são competentes na medida do possível, não sou o maior apreciador dos trabalhos de Uematsu e acho que boa parte da OST do jogo funciona bem mas não é marcante, salvando algumas breves exceções como as músicas de batalha normal, de chefe e final. O resto realmente não me marcou e não me lembraria de nenhuma.

Então Final Fantasy VI é um primeiro passo pra uma tentativa mais elaborada de enredo que tem um péssimo vilão, personagens dispensáveis e um ótimo sistema com pouquíssimo desafio e uma trilha sonora em boa mas relativamente esquecível. É uma boa reformulada pros padrões fracos dos jogos anteriores mas ainda assim fica devendo.

6.5 6.5 10
Overall
9.0 Gameplay
6.0 Story
7.0 Music
5.0 Graphics
Jogabilidade muito variada de personagem pra personagem
Ótimo sistema de adquirir magias através de equipar summons
Alguns personagens como Terra, Sabin e Cyan
Design de alguns monstros e chefes são legais.
Itens como Offering ou Genji's Glove quebram quase o sistema inteiro
Gráficos feios mesmo pros padrões do Super Nintendo na época, totalmente reaproveitados de forma quase nada polida
Kekfa cumpre seu papel como vilão mas tem NENHUMA motivação convincente
Personagens inúteis como Moggle, Umaru, Gogo, Relm e etc

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