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jclove José Carlos

Reinforcements? I am the reinforcements. —Ashley Riot


8 dias atrás 2019-03-13

Eternal Eyes

O jogo começa com uma animação bem bacana, pena que é a única.

Eternal Eyes foi um Tatical RPG desenvolvido pela desconhecida TAMTAM e publicado pela finada Sunsoft para o Playstation em 2000, ano em que o console já estava caminhando para o fim de sua vida comercial e soterrado de JRPGs sensacionais vindos das gigantes Squaresoft, Enix Namco e a própria Sony, que acabaram deixando esse lançamento passar batido pra grande maioria do público-alvo do game.

A capa americana não ajudou muito também diga-se de passagem, com uma arte extremamente genérica e sem carisma que sequer dava uma idéia do que o jogo tratava,

bem longe da Japonesa que trazia artwork do jogo mesmo.

Eternal Eyes tenta misturar o gameplay de jogos táticos na linha de Tactics Ogre e FFT com coleção de monstrinhos a lá Pokémon que era mania na época. O Protagonista Luke é o "Eternal Eyes" do jogo, que possui o poder de invocar "magical puppets", seres criados a partir de bonecos e usa-los em batalha. Mas esse não é o grande diferencial do jogo e sim sua dificuldade que basicamente é nula. 

É de longe o RPG tático mais fácil que já joguei, com inimigos que te ajudam quase sempre, evitando matar o protagonista ou seus monstrinhos, fugindo ao invés de atacar quando seus personagens estão pra morrer, ou errando golpes em momentos críticos. Seus personagens rapidamente ficam fortes e sobem de level com facilidade durante os combates. Como eles recuperam totalmente HP e MP ao ganhar level, na grande maioria das batalhas você sequer precisa se preocupar em curar aliados. 

Isso só muda um pouco no final, mas nada preocupante também pq qualquer magia de cura recupera todo HP, quase sempre de todo o grupo...ou seja, ao contrário da filosofia de design de 99% dos TRPGs a idéia aqui é favorecer o jogador sempre que der.

Quando não está em batalhas, Luke pode passear pelas duas cidades do jogo, conversar com NPCs, visitar lojas e etc.

O resultado é um jogo bem raso justamente no quesito tático, já que não é preciso muita estratégia pra vencer qualquer batalha. No quesito enredo também não se tem nada demais: basicamente aquele clichê de vilão que quer dominar o mundo invocando uma deusa da destruição selada por herois a muitos anos atrás e que deve ser impedido por um garoto que nem chegou a puberdade ainda, mas descobre ser "o escolhido". As músicas não se destacam apesar de não chegarem a incomodar...enfim, já deu pra entender que não tem nenhum grande destaque pro jogo, MAS ainda consegui gostar o suficiente até fechar.

A arte do game tem aquela pegada de anime dos anos 90/2000 que me agrada bastante, os personagens tem portraits bem desenhados que mudam pra destacar a emoção durante as conversas, tem muitas artes estáticas estilo visual novel na narrativa e os gráficos, apesar de simples, lembram um pouco Grandia, com personagens em sprites 2d em cenários poligonais. A mecânica de adquirir e evoluir é interessante apesar de subutilizada: você só pode levar 3 magical puppets por batalha e como as batalhas são fáceis nem vale a pena investir em mais monstros que esses 3 iniciais.

Eles evoluem ganhando experiência nas batalhas e quando você os "alimenta" com as joias ganhas durante as batalhas. Existem seis cores de joias e categorias como força, sabedoria e outros atributos e o jogo da apenas uma ideia do que cada uma pode fazer, tipo "aprender magia, ou aumentar status" e é meio random o que acontece quando você as usa. Aconselho usar todas nesses 3 monstros iniciais no jogo inteiro pra deixar eles fortinhos e cheios de magias. Falando em magias, tem muitas e sinceramente, a maioria é bem dispensável, causando pouco dano ou sendo pouco eficientes, exceto as de cura e as que atacam em área, por isso vale a pena sair gastando joias adoidado pra turbinar os puppets.

Um detalhe é que caso um puppet seja "morto" em batalha, ele volta a forma de boneco e PERDE todas as magias que conseguiu até então (mas mantém nível e os outros stats), o que pode ser meio chato quando você tá no final com todas as magias do jogo, mas como é fácil evitar isso não chega a ser um grande problema.

De longe, quase lembra FFT não?

O jogo não é longo se compararmos com outros games do gênero, levando no máximo umas 20h pra terminar. O problema maior além da facilidade é a repetitividade. Nesse aspecto o jogo é bem parecido com os crossovers da Namco (Namco x Capcom e os Project x Zone), com capítulos inteiros se resumindo a sessões infinitas de batalhas meio chatinhas onde vc só precisa se aproximar dos inimigos pra matar e repetir isso até acabar. A diferença, a favor do Eternal Eyes é a duração dessas batalhas, infinitamente menor que os mapas com 60 inimigos dos PxZ, mas tem hora que acaba cansando.

O jogo foi lançado no fim da vida do PS1 nos EUA e a preço bem menor que o normal, certa de 20 dólares na época, dai não era pra se esperar muita coisa. Ele é bem mediocre realmente e bem longe da concorrência, MAS eu achei carismático e pra ser sincero, gostei de uma jogatina fácil pra variar. 

Na época do PS1 eu detestei Fifnal Fantasy Tactics simplesmente por não entender as mecânicas do jogo e ficar morrendo nos primeiros mapas toda hora. Isso não aconteceria se tivesse conhecido o gênero com esse jogo aqui. Dai Eternal Eyes entra pra lista de JRPGs bacanas pra quem quer começar no gênero.

7.5 7.5 10
Nota Geral
7.5 Jogabilidade
7.0 História
7.0 Música
7.5 Gráficos
Artes bacanas estilo anos 90
Mistura de Pokémon com jogo tático
Mais de 100 monstros pra desbloquear
Jogabilidade simples e acessivel
Genério pra caramba
Bem fácil pros padrões do gênero
Os amigos do Luke não participam das batalhas
Do meio pro final as batalhas ficam bem repetitivas e sem graça

5 de usuários gostaram desta crítica.


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