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renanmotta Renan M. Sampaio Motta

Nada melhor, no mundo do entretenimento, do que a experiência de um video game


mais de 4 anos atrás 2014-08-25

Watch Dogs

   Um dos games mais aguardados na transição da sétima com a oitava geração, Watch Dogs, traz uma forma nova de encarar um mundo Sandbox. Entre falhas, inovações e um bom gameplay, a nova franquia consagrou seu sucesso tendo total garantia numa continuação.

  • Uma Chicago detalhada, porém...

   Uma cidade que pouco aparece nos games, Chicago, é o palco da nova IP da Ubisoft. Além de muito bem detalhada, a cidade está lindamente modelada, com seus monumentos e locais turísticos perfeitamente representados. Mas há um lado que faz com que o brilho de tudo isso decaia consideravelmente: a falta de vida. Aqui não sentimos que a cidade está viva. Seja pela falta de pedestres em muitos lugares (veja a imagem mais abaixo), por carros da polícia inexistentes ou pelas faltas de ocorrências, como acidentes sendo reparados por uma ambulância ou bombeiros, por exemplo.

   Além de toparmos com ruas quase desertas, o comportamento, tanto dos pedestres quanto dos motoristas, não são das mais imersivas. Eles possuem um grau de esquecimento alto. Se você fizer um ataque massivo, atropelar alguém ou algo parecido, as pessoas vão correr, mas em poucos segundos irão retornar para o seu cotidiano como se nada tivesse acontecido. E os motoristas não são muito inteligentes.

   É difícil querermos um mundo tão complexo como o GTA V em Watch Dogs, pois é a primeira vez que a Ubisoft se arrisca num jogo desta temática.

  • Não é o que prometeram, mas ainda é bonito 

   Quando Watch Dogs deu as caras na E3 2012, todos ficaram muito empolgados com o visual apresentado. Iluminação, texturas e o clima alterando o mapa fizeram com que os gamers pelo mundo afora aguardassem ansiosamente pelo produto, mas o resultado final não foi o esperado. Houve uma queda considerável na parte gráfica, deixando muitos que antes estavam eufóricos decepcionados. E realmente decepciona, mas não podemos negar que mesmo com todo o downgrade o jogo apresenta belíssimos visuais. Um dos fatores que mais impressionam são as texturas, que talvez, nesse quesito, não tenha sofrido uma baixa. E aqui você ainda vê o clima vivo, trazendo ventos fracos e fortes, garoas e tempestades, e tudo alterando lindamente o cenário. E é nos momentos de chuva que o jogo mostra sua melhor aparência, com poças e os pingos d’água em interação com a superfície.

   E infelizmente os bugs estão lá. Objetos, carros, pessoas com problemas de renderização. Ou então, muitas vezes, sumindo e aparecendo na tela.

   Apesar da inferioridade gráfica de antes mostrada, Watch Dogs é um produto visualmente muito bonito.

  • Um gameplay diferente, com suas ressalvas

   O medo que alguns tinham era de que a Ubisoft poderia entregar um produto genérico de SandBox, sendo apenas mais um GTA no mercado, mas felizmente ela conseguiu se diferenciar de tudo já apresentado. Aqui o foco está no hack. Conforme você vai jogando, fazendo missões secundárias e da linha principal, você vai ganhando pontos de XP que te proporcionarão pontos de habilidade, podendo evoluir o seu personagem numa roda de especialidades bastante recheada. E quando o seu poder hacker estiver completo, a sensação de domínio sobre a cidade é enorme, trazendo uma jogatina divertida. E aqui praticamente tudo é “hackeável”.

   E dentro de semelhanças, aqui temos o Stealth bem ao estilo Splinter Cell, com um cover muito bem executado novamente e um parkour de Assassin’s Creed mais realista e prazeroso de realizar. A jogabilidade entregue é a mais fluida de todos os outros produtos.

Mas nem tudo são flores. Rapidamente o protagonista fica forte demais para enfrentar os desafios, tornando a experiência levemente mais fácil. Eu disse levemente porque a Ubisoft tentou equilibrar isso lhe entregando missões que requerem uma estratégia bem bolada.

   Outro problema está na repetição de ações durante o jogo. Se você for explorar o mundo, fazendo missões secundárias, irá perceber o quão tudo é parecido. E isso é fortificado quando se engaja na campanha. Cada missão tem um estilo, mas entre si são extremamente parecidas, tendo os mesmo objetivos. O que torna não enjoativo e ainda divertido é a mudança do cenário, sua estrutura, trazendo estratégias diferentes, e também, pelas mecânicas e jogabilidade muito bem executadas, sendo o melhor produto já entregue pela Ubisoft nesse quesito.

   Vale lembrar que no jogo é extremamente fácil conseguir dinheiro, mas ele não se mostra tão necessário ou importante. Comprar carros não traz muita coisa interessante, já que dirigir é o pior ponto do game, e depois que você compra as melhores armas, toda a grana arrecadada ficará dentro do seu bolso e somente lá. Talvez, se quiser ter motivos para gastar, compre roupas, as quais são bem bonitas, com uma textura formidável.

  • Finalmente conseguiram

   A tempos que a Ubisoft passou a trazer seus jogos localizados para o público brasileiro, mas esses trabalhos não eram satisfatórios, mas agora tudo é diferente. A dublagem está de parabéns. Ainda não é perfeita quando pensamos em escolha de vozes, mas a entonação está praticamente impecável e, muitas vozes agradam, principalmente do nosso protagonista Aiden Pearce. Agora esperamos que a empresa nos entregue trabalhos nesse patamar e ainda melhores.

  • Longe de ser ruim, mas poderia ser melhor

   Toda a trama do jogo pode não ser perfeita, mas ainda é interessante. O que nos ajuda a simpatizar com a narrativa é o ótimo trabalho de dublagem e também por personagens carismáticos como o mais aclamado, Jordi. Não podemos negar que a construção do roteiro pode enfraquecer um pouco na sua metade, mas ainda vale a pena sua atenção pelos últimos momentos.

   E dentro do enredo, temos um tema muito bem abordado que é a “invasão de privacidade” e como as pessoas lidam com as tecnologias do momento. Uma crítica muito bem colocada sobre uma sociedade que expõe tudo sobre si para que qualquer um veja. Esse é um tema extremamente atual e que talvez não envelheça, tornando a temática e o jogo atemporais. A partir de agora, a curiosidade sobre uma continuação fica em alta. Como será que a Ubisoft irá abordar novamente este assunto? Há vários caminhos a se tomar.

   Watch Dogs é uma perfeita mistura de Assassin’s Creed e Splinter Cell com uma pitada de GTA que vale a pena ser experimentado. Sempre é difícil iniciar um novo projeto e dessa vez a Ubisoft está de parabéns se formos comparar com o início do conflito entre assassinos e templários. O potencial desta nova franquia é enorme fazendo-nos pensar o que poderá vir por ai.

8.5 8.5 10
Nota Geral
9.0 Jogabilidade
9.0 História
9.5 Música
9.5 Gráficos
temática atual e que difícilmente envelhecerá
uma inovação nos jogos SandBox, trazendo o hackeamento como foco no gameplay
dublagem brasileira
Visual
Apesar de bonito, um downgrade considerável nos gráficos
repetição de missões
Dirigibilidade muito ruim
Física do carro bastante irrealista

3 de usuários gostaram desta crítica.


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