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netobtu João Paulo Bonome Neto

Bio: shock


over 3 years ago 2015-12-11

Ori and the Blind Forest

Produtora: Moon Studios
Publicadora: Microsoft Studios
Plataformas: Xbox One e PC
Ano de lançamento: 2015
Versão jogada: PC

Ori and the Blind Forest é o primeiro jogo da novata Moon Studios. Já seguindo uma tendência de desde a geração passada, a Microsoft decidiu investir nesse novo e independente estúdio para um jogo exclusivo de suas plataformas (Xbox e Windows).

Eu nem vou terminar a análise para dizer: Moon Studios e Microsoft, obrigado por Ori and the Blind Forest.

A floresta cega

Ori and the Blind Forest ocorre na fictícia floresta de Nibel e seus arredores. Encarnando Ori, um espírito de luz que caiu da Árvore do Espírito, o jogador precisa acordar a floresta, para impedir sua destruição.

O enredo do jogo é simples, porém emocionante. É raro um jogo me emocionar, tanto é que não entendo quando pessoas dizem que choraram com determinado jogo (estou falando de você, Journey), mas Ori and the Blind Forest realmente conseguiu me emocionar (mas não me fazer chorar). Em muitas vezes, me senti vendo um filme da Disney enquanto jogava, com orquestrações lindas e emocionais, efeitos lindos, coroados por uma arte extremamente caprichada. O jogo parece uma pintura.

(Acima: Kuro, o antagonista do jogo.)

O mais impressionante no jogo no enredo, entretanto, é como essa narrativa é pouco intrusiva. Em uma época onde estamos vendo jogos que tendem a ser emocionantes te fazendo assistir muito, Ori faz diferente, e suas cenas não-jogáveis não tomam quase nada do tempo do jogador. Uma narrativa silenciosa no que tange os personagens, apenas com frases de efeito vindas do narrador, com sua voz profunda e cheia de ecos, possibilita essa atmosfera de conto de fadas.

Para continuar nesse clima de superprodução Disney, o jogo fala de um tema muito abordado pelas criações do estúdio: amizade e amor. Logo de início vemos Ori indo embora de sua árvore e sendo adotado por uma criatura desengonçada e acima do peso chamada Naru, que o cria como seu filho na introdução, que é uma das melhores dos videogames, criando já uma forte ligação entre o jogador e os personagens.

Samus and the Blind Metroid

Ori and the Blind Forest é um jogo de progressão em duas dimensões, no melhor estilo Metroid. Já começo por dizer que carecemos desse tipo de jogo, que preza pela exploração, mas também pela capacidade e pela habilidade do jogador.

A jogabilidade no jogo é extremamente fluída. Controlar Ori é um prazer, com comandos responsivos e imediatos. Confesso que não esperava tanto de Ori assim. O level design, apesar de aberto, e não dividido em fases, lembra bastante os jogos de Donkey Kong, onde a precisão é necessária para alcançar novas áreas.

(Acima: Ori vai obtendo habilidades conforma avança no jogo.)

Apesar de ser mundo aberto, o jogo se abre de maneira gradual, conforme Ori obtém novos upgrades, ouvindo a sabedoria de espíritos de luz esquecidos. Por exemplo, de início Ori pode apenas pular e atacar utilizando Sein, um projétil de luz, mas, durante a jornada, o jogador obterá a capacidade de carregar o poder de Sein e fazê-la dar uma explosão forte, que tira mais dano dos inimigos.

A coleta de recursos no jogo é muito importante, para criar Elos da Alma, que possibilitam ao jogador criar um novo ponto de salvamento, e também de vida. Começa-se o jogo com um limite baixo desses recursos, porém, conforme conseguimos encontrar itens, esse limite é aumentado, possibilitando mais pontos de salvamento (e também ativação de portas fechadas) e mais erros cometidos pelo jogador.

Por ter um mundo que vai se expandindo, possuímos um mapa. Esse mapa pode ser liberado acessando as áreas ou obtendo pedras específicas, que ativam uma plataforma no cenário e que mostra parte do mapa, inclusive com os recursos disponíveis onde estiverem e portas trancadas (algumas especificidades do mapa só disponíveis caso tenhamos obtido determinada habilidade). Por ser dessa forma, o jogo possui bastante backtracking, ou seja, voltar aos mesmos lugares para alcançar algo que antes não conseguíamos, e também para chegar aos novos objetivos. Isso pode ser um fator que afaste as pessoas, mas o jogo possui um mapa pequeno e bastante variado, o que faz com que esse backtracking não seja maçante.

Mas onde o jogo realmente se destaca no quesito da jogabilidade é no platforming. Desde Donkey Kong Country Tropical Freeze que não jogava algo tão focado em suas mecânicas. Ori pode pular, nadar, flutuar e escalar paredes. Há momentos em que tudo isso é exigido de uma só vez do jogador, com armadilhas precisas e inimigos pavorosos. A precisão é necessária e eu simplesmente adoro quando um jogo me faz ficar no limite, curvado, e isso é ótimo, cada erro e morte enfurece, especialmente se você salvou o jogo lá atrás somente, e está sem recursos para criar outro Elo da Alma, então a habilidade é testada ainda mais.

(Acima: Escapar do olhar vigilante de Kuro não é tarefa simples.)

Na verdade, acho que a maior falha de Ori and the Blind Forest está mesmo no combate. Apesar de não haver tantos inimigos espalhados, muitas vezes eles requerem muitos golpes até morrerem, especialmente no início do jogo. Mas mesmo quando já estamos em um nível maior, os inimigos do fim do jogo são ainda mais resistentes, e esse esmagar de botão pode se tornar chato. Felizmente temos ataques mais fortes, como a explosão de luz (que requer os mesmos pontos do Elo da Alma, então o golpe deve ser muito bem pensado antes de ser desferido) ou o ground pound (esse era um dos que eu mais usava, bem mais efetivo).

Conforme avançamos, ainda adquirimos experiência, que é convertida em pontos de habilidade, que podemos distribuir em uma árvore de habilidades. Atributos como aumentar o poder de ataque, conseguir atacar mais de um inimigo de uma vez, ter fôlego infinito e gastar menos recursos para fazer um Elo da Alma são alguns exemplos. Por seguir um caminho onde para ativar nova habilidade, devemos adquirir a imediatamente anterior a esta, muitas vezes não pude obter uma melhoria que seria excelente porque a anterior não me interessava.

Além das situações de platforming com inimigos comuns, alguns soltando projéteis, outros pulando em direção a Ori, temos também algumas situações que parecem batalhas contra chefes. Eu acho que todo platformer que se preze deve ter chefes, porque é onde as mecânicas de batalha e platforming podem ser testadas ao limite. Infelizmente Ori possui batalhas limitadas contra chefe, e todos são a mesma coisa.

No entanto, nos cenários normais o jogo brilha muito e força o jogador a utilizar tudo o que o jogo expansivamente vai ensinando. O ponto alto é no escape dos três templos, onde corremos contra o perigo iminente usando o que aprendemos. Essas partes me lembraram remotamente da fuga da caverna em Aladdin, do Super Nintendo, onde a lava vinha enquanto voávamos no tapete mágico (mas Aladdin é muito mais simplista do que Ori and the Blind Forest em suas mecânicas).

A luz de Nibel

Ori and the Blind Forest é um dos jogos mais bonitos que já vi. É de encher os olhos, e um tapa na cara de duas facetas da indústria e de jogadores: aquela que acha que o ideal é fazer jogos cada vez mais fotorrealistas, e que gráficos cartoonizados estão ultrapassados e aquela que insiste em fazer jogos em 8 bits (sem ser pixel art, só aquele 8 bits canastrão e preguiçoso). A arte do jogo foi insuperável esse ano, tanto que o jogo venceu o prêmio artístico do Video Game Awards.

(Acima: Sim, isso é uma screenshot. Não é uma artwork somente.)

E não somente: a trilha sonora do jogo é primorosa. Orquestrações perfeitas, que casam com os momentos do jogo, especialmente os de maior tensão. As músicas emocionantes ditam o tom do jogo, fazendo um dueto maravilhoso com a arte visual do jogo. Definitivamente, Ori and the Blind Forest é arte jogável nesses quesitos.

https://youtu.be/utGn3_V54Is

(Morri bastante enquanto essa música tocava, mas ela é tão boa que não me importei tanto.)

Restaurando a luz, encarando a escuridão

Precisamos de mais jogos como Ori and the Blind Forest. Esse jogo deveria ter até uma edição física, deveria ser considerado como um dos principais lançamentos do ano. Apesar de toda a carga emocional que o jogo tem, ele não é pretensioso em nenhum momento, justamente por ser um grande jogo, com mecânicas precisas, perfeitas.

Caso haja uma sequência, algumas poucas mudanças devem ser feitas, como a adição de chefes e um pouco mais de variedade e balanceamento de inimigos, porque, de resto, Ori and the Blind Forest é um jogo onde fica difícil de reclamar, variado e que puxa ao limite todas as suas mecânicas. A narrativa quase silenciosa, conduzida por um narrador, não é intrusiva, o que possibilita ainda mais uma melhor fluidez do jogo.

Todo mundo deveria jogar Ori and the Blind Forest.

(Acima: Ori)

Confira a análise no site e comente por lá também! Link: http://jogadorpensante.com/2015/12/11/netos-review-ori-and-the-blind-forest/

9.0 9.0 10
Overall
9.0 Gameplay
10 Story
10 Music
10 Graphics
O melhor: jogabilidade precisa, arte maravilhosa, sonoplastia perfeita… não tem como eleger somente um atributo como o melhor.
O pior: a falta de chefes e batalhas contra inimigos comuns maçantes.

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