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renanmotta Renan M. Sampaio Motta

Nada melhor, no mundo do entretenimento, do que a experiência de um video game


about 4 years ago 2015-04-06

Ori and the Blind Forest

     Poucas empresas conseguem marcar o mercado tão rapidamente. Enquanto que a maioria das Triple A se manteve na “mesmice”, os independentes mostraram do que são capazes nos últimos anos. E no ano de 2015, com a parceria entre Microsoft e Moon Studios, tivemos uma das maiores obras primas da arte virtual de todos os tempos com Ori and The Blind Forest.

  • ARTISTICAMENTE MAGNÍFICO

      Existe uma parte desta indústria dos jogos que consideremos alguns games como “produtos artísticos”, e normalmente se dá muito pelo fator visual, no qual podemos comparar a um quadro pintado; e isso é recorrente em Ori. Seus gráficos puxados para o cartunesco muitas vezes se assemelham a uma pintura. Toda forma de uso das cores e iluminação junto aos variados cenários 2.5D faz com que o jogador se vislumbre a cada minuto jogado. É realmente impressionante toda essa coloração bem iluminada devidamente posicionada nas paisagens e alguns inimigos.  

      Cenários congelados, paisagens incendiadas, locais inundados; tudo no mais alto nível gráfico que se possa imaginar. É difícil eleger esse estilo como o melhor quando temos visuais mais realistas para comparar, mas com certeza é um dos mais lindos produtos que os jogadores poderão ver. Como comparação de estilo, nós temos o Rayman Legends e o mais recente Child of Light que mostraram um primor gráfico quando saíram, sendo ainda produtos belíssimos. Mas com superioridade, Ori and The Blind Forest mostrou avanço visual sendo, em seu estilo, o gráfico a ser batido.

      Artisticamente falando, a trilha sonora também é importante, com sua pegada mais clássica e normalmente com o uso do piano. Aqui tudo isso é garantido com músicas muito bem criadas para todos os eventos e áreas do jogo. Cada canto do mapa, além de possuir uma característica visual distinta, a trilha se comporta da mesma forma, mudando e pautando a aventura do jogador enaltecendo seu teor artístico.

  • SAUDOSO E DIVERTIDO

      É fácil notar algumas semelhanças e a importância que teve o retorno de Rayman Legends. A Moon Studios deixou claro no gameplay suas inspirações com relação ao jogo da Ubisoft. Seja pelo conceito artístico, seja pela construção de mapas com áreas escondidas. Mas não só disso houve inspiração. Ao jogar Ori, percebemos um certo toque dos jogos mais antigos. O jogador não fica refém de um gameplay explicativo e que te guia a todo momento. Quando uma missão aparece no mapa, você terá que descobrir como chegar até lá. Além da implementação de puzzles sem tutorial ou dicas pipocando na tela. Essa liberdade de raciocínio faz falta hoje em dia, tornando este novo jogo uma diversão mais prazerosa e diferente dos demais.

      A dificuldade/desafio deste jogo aguça a memória de jogadores mais antigos. Tanto pela falta de informação e dicas quanto pela disposição dos obstáculos em tela. Você muitas vezes se deparará com uma situação em que terá que fazer o movimento perfeito, caso contrário poderá falhar morrendo no processo. Isso nos remete aos tempos de Super Mario World e afins. Perder pontos de vida e/ou morrer podem ser corriqueiros na sua jogatina, principalmente no início, por estar mais fraco. E isso aplica no ponto mais forte do jogo: exploração de cenário.

      Caso não queira morrer tanto para inimigos e cenários traiçoeiros, é recomendado que faça uma boa exploração, que no caso se mostra um dos, senão, o ponto mais viciante do jogo. E tudo isso é muito bem esquematizado, mostrando que os criadores aprenderam muito com os antigos. Por exemplo, existem áreas que você não vai conseguir acessar porque ainda lhe falta uma habilidade específica para tal; e com o avanço dos upgrades, você sempre estará retornando para cenários antes já visitados; e pode ter certeza que sempre terá algo importante para ser coletado. Isso torna este um jogo de exploração bem pensado. O que adiantaria ter um imenso mapa, mas nada para se fazer ou coletar de relevante?

      E não se preocupe com relação ao tempo de campanha. Aqui é possível chegar a até 12 horas, caso queira desfrutar da exploração neste mapa que é muito variado e de certa forma extenso. Juntando ao tempo que você perde tentando passar por um obstáculo desafiador ou pensando qual seria a forma correta de avançar, todo o seu dinheiro valerá a pena.

      Inicialmente o jogo poderá parecer simples com relação a sua ação e mecânica, mas logo perceberá este equívoco. Com a evolução de habilidades e novos movimentos adquiridos devido à exploração, você terá várias formas de concluir uma situação, assim como fazer belos combos em diversos inimigos podendo até usar o cenário ao seu favor.

  • EXPERIÊNCIA AINDA RELEVANTE

      Ao jogar Ori and The Blind Forest, você poderá sentir algumas faltas ou uma atenção menos cuidadosa da narrativa. Com relação ao primeiro ponto, a Moon Studios mostrou sua preferência em trocar grandes batalhas contra chefes por situações de “corra para viver”; que felizmente se mostraram bem feitas e tão difíceis quanto seria um Boss Fight. Porém não muda o fato de que em alguns cenários fosse implementado um inimigo distinto dos demais com características únicas, sem precisar torna-lo um boss, mas promover uma diversificação em momentos de mais dificuldade. Muitos poderão se decepcionar, principalmente com o final sem “mão na massa”, pois ele se conclui por si só.

      Já com relação à história, nós temos uma fantasia bela e com boas viradas de roteiro, mas com uma narrativa simples e às vezes lenta. Dificilmente haverá jogadores que correrão pela tela para o próximo objetivo, optando por uma exploração compensatória. Isso poderá estender a evolução de roteiro. Mas não pense que a narrativa é tão esquecida, pois vira e mexe, a sua companheira pauta alguns fatos para você. O que se mostra mais raro é a aparição do narrador junto ao andamento do roteiro. Basicamente, você poderá gostar das viradas e todo o universo montado, mesmo que possa parecer simples e já contado antes.

      Ori and The Blind Forest se mostra um excelente jogo de ação em plataforma extremamente viciante devido a sua pegada mais antiga, deixando o jogador totalmente solto no mundo diante dos desafios sem dicas e grandes tutoriais. Com a jogabilidade em foco, não espere por um enredo detalhado e complexo, mas abra o coração pois ainda assim há uma bela história para ser contada.

9.5 9.5 10
Overall
9.5 Gameplay
8.5 Story
10 Music
10 Graphics
Gráficos de extrema qualidade
Gameplay viciante pautado na exploração e dificuldade, como nos jogos da era 16bits
A falta de um Boss Fight
Um cuidado maior quanto à narrativa

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