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renanmotta Renan M. Sampaio Motta

Nada melhor, no mundo do entretenimento, do que a experiência de um video game


about 4 years ago 2015-04-17

Assassin's Creed Unity

     Contando com um dos maiores eventos da humanidade e um dos mais esperados, senão o mais, Assassin’s Creed Unity tenta fazer o retorno às origens com boas novidades e um grande desperdício de enredo na famosa Revolução Francesa.

  • UM DOS GRÁFICOS MAIS BONITOS DO ANO

      A Ubisoft nunca na franquia AC trouxe um gráfico de ponta, e para o prazer visual dos jogadores, Unity chega representando belissimamente a nova geração. Além do grande número de detalhes em tela, nós vemos texturas de impressionar, como o tecido e a iluminação de fácil credibilidade, como no sol da tarde. A paleta de cor é muito bem escolhida e aplicada, dando ainda mais realidade junto ao uso da iluminação. Sua roupa pode “variar” de tom dependendo da incisão de luz, assim como na vida real.

      Para se juntar a essa beleza, nós temos o maior mapa da série e o mais detalhado. Uma representação quase que em mesmo tamanho da verdadeira Paris. Construções aos montes, assim como habitantes variados fazem com que o mapa seja ainda mais crível. Aqui temos o cenário mais povoado já mostrado. Totalmente gratificante encontrar uma construção conhecida e visitá-la. Certas partes do mapa são impressionantes quanto a sua grandiosidade.

      Outro ponto impressionante do gráfico é o interior das construções; a textura de todos os objetos, como prata e ouro, a iluminação entrando pela janela e muitas vezes o seu tamanho.

      Uma das surpresas é o erro temporal que nos leva para outras épocas de Paris. A menção que vale ser citada é quando escalamos a Torre Eiffel basicamente em tamanho real. Chega a ser inacreditável.

  • FINALMENTE O VERDADEIRO PARKOUR

      A base da série no seu gameplay sempre foi a liberdade de movimentos possíveis dentro do mapa. Se hoje olharmos para trás, percebemos que essa liberdade não era tanta, assim como a própria jogabilidade, que em alguns pontos se tornava travada. Depois de tantos anos estruturando e repensando sobre a sua jogabilidade, Unity mostra de vez o parkour satisfatório. Nós quase não vemos guardas nos telhados, assim como também não os vemos escalando ao te perseguir. Esses fatos que aconteciam no passado tornavam o assassino uma pessoa comum, já que qualquer um poderia escalar rapidamente um edifício. Agora, apenas os portadores dessa habilidade são capazes. Com os telhados agora mais livres, finalmente temos o gameplay que deveria sempre ter sido. É o primeiro AC em que passamos mais tempo correndo pelas coberturas a se esbarrar nas multidões no solo.

      Uma das mais importantes melhorias era com o fato do personagem escalar e saltar em lugares errados. Agora isso está mais raro, tornando o gameplay ainda mais satisfatório. Caso você escale um edifício errado, o parkour está tão bem implementado, que rapidamente você recupera a sua correta direção.

      Junto a isso nós temos a melhor jogabilidade da franquia. Nunca foi tão bom correr por telhados e saltar entre eles. E principalmente, descer de uma construção. Além de terem melhorado a movimentação, com uma física mais realista, em certos pontos, a Ubisoft conseguiu resolver o problema das lentas descidas. Agora basta apertar dois botões para que o assassino desça com fluidez até chegar ao chão. E claro, subir sempre foi mais fácil, e agora está mais ainda. Está mais difícil encontrar uma parede que não se consiga escalar.

      Como eu dissera; a física se comporta magnificamente na maior parte do tempo, mas isso não é uma falha. Entre os seus saltos, você verá movimentos fantasiosos, mas essa decisão veio para trazer uma jogabilidade mais divertida; para enaltecer o fato de que os telhados estão ainda mais jogáveis.

  • MELHORIAS E NOVIDADES

      Pode ter certeza que Assassin’s Creed Unity será o maior da franquia que você jogará até então. Há intermináveis missões secundárias para se fazer e todas elas possuem contextualização com a Revolução Francesa. Elas que até mesmo mostram um pseudo enredo ainda melhor que a campanha principal. E o ponto forte das secundárias são as de investigação. É extremamente satisfatório solucionar os crimes espalhados pela cidade. É claro, isso no modo single player, porque a maior adição feita foi o co-op. São diversas missões de variadas dificuldades que podem ser realizadas junto com os amigos. Muitos reclamaram da ausência do competitivo, mas que em compensação, Unity traz muitas horas de um jogo variado para o modo online cooperativo.

      Uma das maiores reclamações nos últimos jogos da franquia era o modo furtivo. E finalmente eles consertaram nos dando um simples botão para agachar. Não é preciso entrar num local específico para o personagem entrar automaticamente em modo furtivo; agora basta o apertar de um botão, no local e momento que você achar melhor, para avançar furtivamente por uma área; além de o jogo trazer missões que enaltecem esse modo. E junto com essa melhoria temos o cover agora melhor trabalhado. Basicamente, a Ubisoft trouxe muito do aprendizado que teve na franquia Splinter Cell. Um bom exemplo é que agora no AC, a sua última localização aparece na tela, como acontece com o Sam Fisher.

      A customização agora é gigantesca. Você pode mexer peça por peça e montar o melhor assassino para o seu modo de jogar. Assim como upgrades de habilidades, dando uma liberdade maior ao jogador na escolha que lhe cai melhor. Cada parte da roupa, armas, cores e habilidades; esse foi um belo acréscimo numa customização mais simples que antes era.

      Nessa árvore de skills, nós temos o lockpick. Essa simples adição fez modificar muito na estratégia de jogo. Agora que há muitos interiores para se aventurar, com a habilidade de arrombamento, você pode entrar por uma porta bem localizada e surpreender os inimigos. E a franquia modificou completamente com essa evolução. Poder entrar nos edifícios dá novos ares na estratégia e gameplay. E não pense que são poucos. Muitos lugares são permitidos a entrada.

      Outra evolução considerável está na execução das missões principais. Mesmo que a franquia sempre dera liberdade de estratégia, nós tínhamos basicamente os mesmos caminhos para se seguir. Agora, Unity apresenta uma diversificação na forma de finalizar uma missão. Ele te abre caminhos diversos para montar uma estratégia, tornando assim um gameplay com certo fator de replay. Voltar e repetir a missão, mas utilizando uma outra entrada. Isso torna provável que o seu progresso seja diferente de muitos outros jogadores, dando a impressão de um gameplay vivo e realista. O jogo te deixa livre para escolher o melhor caminho e se adaptar às oportunidades.

  • PARA NÃO DIZER QUE ERA O MELHOR

      Apesar de bastante bonito, AC Unity mostra um gráfico problemático. Os bugs existem aos montes. Por terem recheado o mapa com uma população densa e pela correria da entrega do produto, você verá fantasmas, teleportadres e transformadores, parecendo o gameplay de um X-Men da vida. Se não tenha entendido, vamos à explicação; é muito comum andar pelas ruas de Paris e ver os cidadãos sofrendo pop in, ou seja, surgindo na tela brotando do seu lado. Um problema na renderização dos mesmos. E também com muita frequência, verá vários que ficam trocando de aparência. Por exemplo, ao longe você avista uma moça de vestido verde e quando vai se aproximando ela muda para outra modelagem, podendo até trocar para homem. Nos cenários isso é bem raro, mas ver uma população brotando na tela e se alterando enquanto corre pela paisagem é de uma poluição visual horrível.

      Os bugs permeiam em todo o gameplay. Pessoas voando, saindo do chão, deslizando, entrando em paredes, inteligência artificial desligando e etc. Isso estraga e muito um produto que possuía um grande potencial de gameplay. E para piorar, a taxa de quadros por segundo, inicialmente, estava deixando o jogo injogável. Para possuidores de computadores de placas da AMD, os problemas pareciam maiores, já que a otimização foi focada para a NVIDIA. Mas os consoles não ficaram de fora. Era possível ver quedas para 10-15FPS, principalmente em áreas com um número maior de pessoas em tela. Alguns patches foram lançados, mas nada foi completamente resolvido.

      Mas o ponto mais decepcionante fica por parte do enredo. A Ubisoft tinha em mãos o maior potencial da série com o contexto da Revolução Francesa, mas aqui eles deram mais atenção na briga de gato e cachorro dos assassinos e templários, minimizando toda a profundidade que a escrita poderia apresentar. Mesmo que o personagem seja carismático e que o enredo apresente pontos interessantes, nada se aprofunda no teor sombrio e pesado da época e nem a trama se desenvolve de forma atraente.

      Assassin’s Creed Unity apresenta uma bela evolução de mecânicas e conceitos no seu gameplay o tornando um dos mais divertidos e satisfatórios da série com o visual mais impressionante nela já mostrado. Recheado de atividades interessantes para se fazer e uma campanha principal de boas missões, muito devido à inovação estratégica, Unity ainda apresenta muitas falhas técnicas com um enredo de potencial desperdiçado, perdendo a chance de ser considerado o melhor de toda a franquia.

8.0 8.0 10
Overall
8.5 Gameplay
7.0 Story
9.0 Music
8.0 Graphics
Mapa gigante com diversas missões interessantes
Gráficos muito bonitos
Melhoramento na mecânica e física, com bom sistema de upgrades e customização
Novas maneiras de se concluir uma missão
Diversos bugs em grande escala
Potencial contextual desperdiçada no roteiro
Dublagem de altos e baixos

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