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renanmotta Renan M. Sampaio Motta

Nada melhor, no mundo do entretenimento, do que a experiência de um video game


quase 4 anos atrás 2015-04-20

Assassin's Creed Rogue

  Pela primeira vez em sua história, a Ubisoft lançou dois jogos no mesmo ano para tentar alcançar duas gerações em tempo simultâneo. Com isso, a tarefa de se sobressair se tornou deveras difícil para o templário Rogue.

  • COMO NUM DÉJÀ VU

   O papel de Assassin’s Creed Rogue era de apenas contar uma história por um ponto de vista contrário ao comum. Isso é notável quando vemos um gameplay bastante genérico, sem nenhuma inspiração. Mecanicamente, Rogue está abaixo do Unity, pois sua produção foi determinada pela geração passada e suas possibilidades. Jogar o lançamento da nova geração primeiro para depois se aventurar com Shay, poderá causar um desconforto inicial, pois sentimos uma jogabilidade mais “pesada” diretamente relacionada ao parkour, marca registrada da franquia.

   Com isso, todos os problemas e acertos nas mecânicas do seu antecessor se repetem aqui. Escalar quando não devia, travar numa sacada e não conseguir subir num elevado, pular no lugar errado e etc. Fora alguns bugs, que sim eles estão ai, mas até que em menor quantidade se for comparar.

   Diante das missões principais e secundárias, Rogue não brilha em nenhum momento. Seu gameplay não é ruim, mas ter a sensação de estar rejogando algo, teoricamente, não é bom. É evidente que este novo jogo é uma leve evolução do seu anterior, Black Flag, quase que somente na parte naval; mas com relação à campanha, pode-se dizer que ficou atrás; sem nenhuma inspiração e preparação para uma boa conclusão. Por isso, não se preocupe se ao finalizar o jogo você pensar: “Ué, acabou?!”

   As missões secundárias e as tarefas são sim divertidas e um ótimo passatempo, mas chega uma hora em que é perceptível a irrelevância delas. Evoluir tanto personagem quanto navio não é necessário para o zeramento, pois o jogo não te mostra nenhum desafio, sendo o mais fácil da franquia. Se for pensar pelo dinheiro investido, que no caso é bastante, pelo menos, essas distrações fazem valer os reais gastos com muito tempo de gameplay. Este é o ponto: divertido ele é, mas vazio também.

  • UBISOFT PRECISA DE BONS ESCRITORES

   A ideia de Assassin’s Creed Rogue é bem interessante; te colocar na pele de um assassino que se vê indagando as ações dos seus líderes e escolhendo o outro lado, os templários. Porém, sua execução não ficou a altura do potencial. Este com certeza não foi o ano da Ubisoft com a franquia AC. Ambos os lançamentos deixaram a desejar nas suas histórias. Aqui, Shay Cormac se mostra um personagem atraente quanto à escrita, mas às vezes dá a impressão que tudo é apenas uma casca, superficial, sem o devido aprofundamento diante das opiniões e questionamentos aparentes. E como de costume, no final das contas o enredo se afunila para contar, apenas, uma caçada entre assassinos e templários.

   O roteiro além de não se aprofundar, mostra algumas falhas narrativas, personagens para lá de descartáveis e poderá te confundir quanto à cronologia, mas este não se dá como um erro. E com relação à linha do tempo, é muito recomendável jogar primeiro o Unity, porque assim, o exato corte final de Rogue será de explodir a cabeça, causando uma sensação boa por ter sido surpreendido.

   Definitivamente, Rogue demonstra um dos piores enredos tendo apenas como sustentação o personagem principal e o seu conceito. Tudo é tão corrido e mal contado que quando Shay se transforma num templário, você não hesita e não sente nenhum remorso ao matar seus antigos amigos, porque a empatia não foi devidamente criada. Ao mesmo tempo em que há bons diálogos também há a falta deles diante da relação entre Shay e seus velhos e novos companheiros.

   Juntando enredo com gameplay, sair da simulação se torna extremamente chato, e isso acontecerá umas boas vezes. O jogo já não te prende mecanicamente e para piorar, te obriga a jogar nas partes em primeira pessoa, na qual são completamente desinteressantes quanto à história que ele tenta contar. Esses serão os momentos de “vamos correr com isso para retornar às memórias”.

  • SENSAÇÃO ESTRANHA

   Graficamente, Rogue se mostra competente, mas com a pegada do ACIII um pouco mais polido. Infelizmente a versão PC não recebeu a possibilidade de conter o visual do Black Flag, o que poderia ser possível e agradável aos olhos dos jogadores dessa plataforma, pois há o sentimento de estar jogando algo ultrapassado e regredido. Ainda assim, você encontrará cenários bonitos, como o lado ártico mais ao norte enquanto noite.

   Assassin’s Creed Rogue muitas vezes se mostra irrelevante para o jogador que quer algo a mais quanto ao enredo, fazendo muitos pensarem, “O que eu ganhei com isso?”. Porém, ainda assim há pontos interessantes e não deixa de ser divertido, principalmente no gameplay marinho. Tanto para novos jogadores quanto para os fãs da série, existe um mínimo aceitável para um bom jogo, mas procurar aprofundamento e boas inspirações nessa jogatina será uma tarefa mais árdua.

7.0 7.0 10
Nota Geral
7.0 Jogabilidade
7.0 História
7.0 Música
8.0 Gráficos
Personagem e ideia de enredo interessantes
A boa e conhecida batalha naval
Gameplay pouco inspirado
enredo superficial em diversos pontos com potencial desperdiçado

3 de usuários gostaram desta crítica.


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