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renanmotta Renan M. Sampaio Motta

Nada melhor, no mundo do entretenimento, do que a experiência de um video game


almost 6 years ago 2014-08-19

Assassin's Creed IV: Black Flag

Mais pirata e menos assassino, o quarto jogo numerado da série vive de altos e baixos tendo como maior foco a pura diversão. Aqui veremos mecânicas que funcionam perfeitamente e outras nem tanto. E um enredo e gameplay que nos faz duvidar se é ou não um Assassin's Creed.

Começando pelas falhas...

  • O mais bugado da série

   Um dos grandes problemas da franquia é a quantidade de bugs que ela apresenta. A cada ano que passa, incompreensivelmente, os jogos apresentam cada vez mais desses problemas. E Black Flag nos apresenta o maior de todas essas falhas. Em muitos momentos você irá se aborrecer pelo fato de Edward não obedecer seus comandos. Muitas vezes, quando é apertado um botão para que ele suba num telhado, por exemplo, ele simplesmente não sobe e fica pendurado no parapeito. Ou quando clicamos para atacar um oponente e, em vez disso acontecer, o pirata move a espada como se não houvesse inimigos à frente. Junto a isso, ainda sofremos na condução do personagem na hora do parkour. Subimos onde não queremos, caímos quando na verdade queríamos correr por um telhado. Esses bugs, muitas das vezes, chegam a atrapalhar uma missão, estragando sua experiência.

   Além de bugs na jogabilidade, nós os vemos perambulando pelo mapa. Seja com npc's com a IA desligada, ou com movimentos estranhos. Objetos e pessoas às vezes somem da tela e há um problema na renderização, tanto dos personagens quanto dos cenários. Isso mostra que Black Flag foi feito às pressas, e talvez, também, pelo fato do trabalho ter sido dividido por várias empresas.

   Não se trata de um bug, mas de uma escolha não muito boa. Agora quando usamos a visão de águia para marcar um inimigo, o seu destaque no cenário não ficou bem implementado. Sua cor e intensidade deixa certa dificuldade ao sabermos qual a posição real do oponente. Não há como saber se ele está atrás de um muro ou uma construção. Demora muito tempo até acostumarmos, mas ainda, mesmo no final, podemos nos confundir.

  • Apenas para consertar o que foi feito no antecessor

   Depois do final de ACIII, ficamos intrigados sobre o futuro da franquia e este novo jogo serviu para dar uma boa desculpa de como a Ubisoft continuaria na produção do seu carro chefe. O problema é quando todo o enredo se prende a apenas nisso. Aqui não é encontrado um grande roteiro e nem uma boa construção de enredo. Personagens que vão e vem sem muita importância, num crescimento corrido da narrativa. O personagem principal salva um pouco, trazendo um ótimo carisma, mas no geral, toda a história permanece desinteressante, fazendo com que a exploração do mapa fique em evidência e as missões principais fiquem mais de lado.

  • O sofrimento da ludo-narrativa

  Não se preocupe se estranhar algo na narrativa do jogo, pois aqui temos uma grande dissonância ludo-narrativa. Isso acontece porque, pela primeira vez, a Ubisoft nos entrega um vasto mapa disponível desde o início, permitindo que o jogador explore e colete objetos à vontade. Para o jogador inexperiente, que possui um medo maior quanto à liberdade, não haverá tanto problema, mas aos antigos da série e amantes de outros jogos SandBox, essa fraqueza é totalmente perceptível. Um bom exemplo são as pedras maias, que podem ser coletadas desde o princípio, basta apenas encontrar uma nova ilha. E depois de já ter coletado mais de 10, haverá uma missão mais à frente nos apresentado a essas pedras, e o nosso protagonista terá a reação de quem nunca havia as visto.

   Essa quebra acontecerá algumas vezes. Missões que servem apenas para nos ensinar algo que já aprendemos anteriormente.

  • A dublagem caminha a passos curtos

   Conseguimos enxergar melhorias com relação ao jogo antecessor, mas ainda encontramos momentos bem horríveis, seja na entonação ou na escolha de voz. E o maior dos problemas é quando percebemos que nem tudo foi dublado. Alguns personagens não possuem a dublagem brasileira, causando estranheza no primeiro momento. Tudo isso pode atrapalhar na imersão, infelizmente.

  • Tem certeza que é um Assassin's Creed?

   Um dos maiores questionamentos é se Black Flag é de fato um Assassin's Creed. Por muito tempo, o enredo se foca numa história de pirataria e o gameplay é melhor executado e perfeitamente coeso quando se é experimentado esse lado bucaneiro. Toda a parte de navegação e exploração é esplêndida, tornando o pouco que há do gênero assassin bem aquém. É difícil colocar este como pertencente à franquia. A sensação que se tem é que temos um jogo sobre piratas com apenas uma leve pitada de Assassin's Creed. Nem mesmo o nosso protagonista se mostra interessado na briga entre templários e assassinos. Navegar como um ladrão dos mares é muito mais interessante do que ser um assassino.

  • Pode se tornar extenso demais

   O tempo de jogo em Black Flag é muito prolongado, sendo o maior da série. Aqui haverá muito a se fazer pelo mapa, seja em missões secundárias interessantes, ou por toda a parte de exploração pirata divertidíssima. Isso faz com que mais para o final você se sinta cansado com um encerramento que aparenta ser longínquo. São muitas missões dentro da campanha e, atrelando a toda a parte externa, faz com que a finalização do jogo seja apenas burocrática, deixando de ligar para qualquer batalha naval ou exploração. O que ajuda nessa correria para se ter logo o fim do game é o enredo bem mais ou menos que nos é apresentado. 

Mas dentro de todos os problemas, temos ainda momentos muito bons

  • Diversão em alto nível

   Ser um pirata se provou ser extremamente divertido. Entrar em batalhas navais, explorar novos locais, melhorar o seu navio, tudo isso é feito com extremo carinho, tornando sua experiência bastante imersiva. Você irá gastar boas horas em todos os upgrades, exploração, e algumas missões secundárias, como invadir um forte. Encontrará  tarefas super interessantes, como os coletáveis no fundo do mar ou a busca por tesouros enterrados. Tudo isso agraciado por um belo gráfico. Ou seja, toda a parte naval vista no terceiro jogo, aqui temos tudo daquilo ampliado na máxima potência.

   Apesar da parte mais "assassino" esteja em segundo plano, não deixa de ser divertida. Muitas das missões principais são interessantes. Mas será que elas são tão boas por causa do tema pirata? Podemos afirmar que sim.

  • Às vezes se torna perfeito

   Como dito antes, infelizmente, temos muitos bugs que atrapalham na experiência do jogo, mas quando eles não aparecem, nós encontramos uma jogabilidade muito fluida e divertida de executar, seja na movimentação na hora do parkour, ou na hora de um combate corpo a corpo. É realmente reconfortante quando conseguimos executar tudo da maneira que queremos. Quando travamos uma bela luta de espadas ou quando percorremos o mapa pelos telhados e árvores.

  •    Trilha e efeitos sonoros impecáveis

   Muito da imersão e diversão está atrelada a parte técnica sonora do jogo. Toda a trilha consegue nos empolgar durante as missões e batalhas e também quando apenas caminhamos por um cenário. Outro ponto que torna a experiência algo absurdo é quando navegamos e a sua tripulação começa a cantar. Buscando um paralelo com GTA, por exemplo, nós podemos acessar as canções piratas como se fosse um rádio. Apenas apertando um botão podemos escolher qual queremos ouvir num determinado momento. Isso faz com que nos preocupemos em caçar esses cânticos pelo mapa. Algo muito mais interessante do que buscar documentos sem importância, como feito no ACIII.

   Todos os efeitos sonoros estão perfeitos. A batalha naval chega a arrepiar quando ouvimos Edward e a tripulação gritando enquanto ouvimos o estourar de canhões e a música tocando ao fundo. É no efeito sonoro que encontramos os mínimos detalhes e o primor profissional da Ubisoft.

Apesar de todos os problemas, Black Flag é um jogo que deve ser experimentado. Sua diversão estará garantida por muitas horas ao melhor modo bucaneiro possível. Com certeza não há arrependimento ao pagar o que pagamos por um jogo aqui no Brasil.

9.0 9.0 10
Overall
8.5 Gameplay
8.0 Story
10 Music
9.5 Graphics
Visual do caribe
Toda a parte pirata, seja nas batalhas ou no upgrade do Gralha
Mapa todo disponível trazendo uma bela exploração
Trilha e efeitos sonoros
Dublagem brasileira
Muitos bugs
Enredo

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