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manoelnsn Manoel Nogueira

Só um cara que curte rpgs...


about 1 year ago 2018-05-13

Xenoblade Chronicles 2

Para os mais familiarizados com o mundo dos RPGs pra videogame, o prefiro Xeno no nome de algum jogo já desperta algo na mente. Tal como Pokémon sempre remete a vários monstros pra se capturar, Dragon Quest remete a um épico para salvar o mundo enfrentando inimigos poderosos, Tales of remete a batalhas dinâmicas, Xeno vai ser sinônimo de enredos bem elaborados. Não necessariamente excelentes ou complexos, mas tramas com muitas coisas acontecendo, uma mistura de filosofia/psicologia com tecnologia e personagens com vários conflitos internos e com o passar dos anos, e dos jogos, isso só veio a melhorar, até que a "franquia" chegou a seu ápice nesse sentido com o surgimento do primeiro Xenoblade Chronicles.

                                                Melia e Riki, do primeiro Xenoblade

Xenoblade Chronicles é espetacular. Seus personagens são muito bem construídos e cumprem muito bem seu papel na trama. A história é muito bem elaborada e não deixa, repito, não deixa espaço nem necessidade de uma possível continuação. O legado que ele deixou para os jogos com Xeno no nome foi gigantesco, deixando para seus sucessores a obrigação de, no mínimo, ter um plot que se aproximasse dele em qualidade. Porém, alguns anos depois, não foi bem isso que aconteceu...

Xenoblade Chronicles X foi lançado para o WiiU e por todos os lados se ouvia as críticas a sua trama praticamente inexistente e seu foco único em exploração. Zelda BOTW teve algumas reclamações parecidas, mas Zelda sempre foi(ou deveria ser) uma franquia focada em exploração(e nesse sentido, liberdade de exploração sempre será inversamente proporcional à profundidade de plot), e não é o que acontece com Xenoblade(e os Xenos no geral). Contudo o problema foi justificado com o fato de que Xenoblade Chronicles X se tratava apenas de um spin off e que um futuro título, este sim carregando o legado do primeiro jogo, surgiria e traria novamente o enredo mais elaborado que todos queriam.

Dito isso, 2 anos depois surge...

                                                                             Isso...

                                                                          E isso...

                         Também existem diálogos muito importantes no game...

                                                       E até mesmo tsunderes!

Ah, mas isso seriam apenas imagens fora de contexto e o jogo seria bem mais do que isso, certo? Sim, ele é bem, BEM PIOR do que isso. Os problemas do jogo começam logo com a escolha do protagonista, um moleque de 15 anos chamado Rex.

O jogo se passa em um mundo chamado Alrest, um local sem superfícies de terra, coberto por um oceano de nuvens e onde as pessoas vivem em cima de titãs(de forma bem parecida com o primeiro game, mas ao invés de dois super titãs são vários pequenos, cada um com formas diferentes). Esse zé mané vive de coletar tranqueiras do fundo do "mar"(o que no jogo chamam de Salvaging) e vivia uma vida até pacata, em cima de um titã velho que ele chama de "Vovô" (awwwnn, que meigo!) até que foi contratado pra fazer parceria em uma missão com um trio de desconhecidos, sendo todos Drivers, guerreiros que podem fazer contratos com Blades, seres poderosos que imbuem seus parceiros com poderes sobrehumanos.

Malos, um dos 3 malucos que acompanharam o protagonista em sua primeira missão aparentemente relevante

A missão era encontrar um navio afundado no meio do oceano de nuvens, e como Rex vivia de tirar porcaria das profundezas, foi tranquilo pra ele encontrar. Porém, ao adentrarem na estranha embarcação, encontram uma sala onde repousa...

Uma ruiva peituda com roupas curtas. E ao se aproximarem dela, um dos acompanhantes de Rex chamado Jin(um mascarado com um espadão) dá uma espadada no moleque pelas costas. Agonizando em seus últimos momentos de vida, Rex se vê em um local verdejante, com aquela mulher bem no alto de uma colina, olhando para o horizonte. 

Seu nome é Pyra e ela diz que pode salvar a vida do púbere protagonista, com a condição de que ele a levasse para aquele lugar no mundo real, um paraíso chamado Ellysium(tipo uma terra prometida, onde as pessoas poderiam viver alegremente sem conflitos políticos, culturais, militares, esse tipo utópico de coisa). Ele obviamente aceita, então ressuscita como driver dela, uma poderosa blade de fogo que é conhecida como Aegis.

                             Colocar a mão no busto da personagem = conseguir poder

Depois de dar um couro em Malos, ele e Jin escapam e Rex parte junto de sua nova companheira para encontrar a terra prometida. Nia, uma das drivers que participou da missão que o matou(e quando Jin o fez ela foi totalmente contra) também o acompanha em sua jornada rumo ao desconhecido, junto da sua blade Dromarch(um tigre bem sensato até). Ellysium aparentemente se encontra em uma árvore gigante localizada no centro do oceano de nuvens chamada "World Tree"(a velha apologia à Yggdrasil, da mitologia nórdica), mas é impossível chegar até ele nadando ou de outro modo, então o grupo vai viajando entre os titãs resolvendo alguns pepinos enquanto tentam encontrar algum a forma de chegar lá de forma segura.

Obviamente mais desmiolados se juntam à essa jornada quase suicida. Tora é um Nopon(a mesma raça de ursinhos de pelúcia de Xenoblade 1, a mesma que Riki fazia parte)que não pode ser um driver(já que é fraco demais pra isso), daí ele resolve construir uma Blade artificial usando os protótipos do seu pai e seu avô(que também eram fracos e não conseguiram uma blade de verdade) e o resultado é Poppi...

                                                         Sim, isso daí...

Contudo sua jornada não é nem um pouco pacífica. No meio do caminho se deparam com a inquisitora do Império de Mor Ardain, Mòrag, e sua blade de fogo Brighid...

                                                 Sim, essa dona à esquerda é mulher...

Claro que ambas também se aliam à Rex, pois se sentem "motivadas" pelos valores da juventude do mesmo... Também aparecem mais dois patetas, Zeke e Pandoria...

              Sendo Zeke o príncipe do Reino de Tantal... Esse é o nível da realeza do game...

Nesse meio tempo Malos e Jin também fazem seus movimentos para atrapalhar nosso jovial protagonista. Ambos fazem parte de uma organização chamada Torna que tem interesses em adquirir Pyra, a Aegis. Em uma das vezes eles quase conseguem, mas Pyra desperta sua outra personalidade, Mythra, e mostra a real potência do seu poder, uma força que aparentemente foi responsável pela dizimação do mundo inteiro no passado...

E a descoberta desse poder faz com que Rex aja de modo mais sério e responsável? Não, ele continua sendo impulsivo e bradando aos 4 ventos que descobriria o Ellysium e com ele a solução pra todos os problemas diplomáticos e militares dos moradores dos titãs. Com essa conversa chegam em Indoline, onde o Pretor chamado Amalthus se oferece para os ajudar em sua jornada, e ele originalmente era o driver de Malos, que também era um "aegis" assim como Pyra/Mythra. Isso desencadeou no passado a chamada Aegis War, onde Mythra e seu primeiro driver, Addam o combateram destruindo vários locais no processo.

                             Amalthus, o melhor personagem do jogo inteiro

Em determinado ataque da Torna, Jin sai das cortinas e parte pro ataque na equipe e o resultado é um massacre total. Rex é quase morto e Pyra/Mythra se rende para o grupo desde que mantivessem seu patético driver e companheiros vivos. Obviamente eles concordam e Rex cai na real que ele é um fracassado que não sabia o poder e a responsabilidade que tinha em mãos...

Então finalmente temos um desenvolvimento do personagem, que admite sua incompletude? Errado! Ele descobre a existência de um novo poder, tem alguns devaneios e parte para resgatar sua parceira! 

                  E com isso ela adquire uma nova forma e um novo patamar de poder!

            E além disso Rex também muda de roupa! Afinal, combinar é muito importante!

Com essa nova potência, Rex estraçalha Malos e Jin, mas no meio do combate todo mundo cai no oceano de nuvens e acordam no meio a uma metrópole em ruínas(metrópole essa que lembra muito a capital de Mechonis e as ruínas de Xenosaga EP03). O protagonista se vê obrigado a se aliar com Jin até reencontrar seus companheiros, e então decidem escalar a World Tree por baixo, enquanto a Torna usa sua nave para alcançá-la por cima. Nesse momento Amalthus surge e mostra sua verdadeira face...

E chega controlando todos os titãs para que ataquem a Torna e o ajudem a completar seu objetivo: de alcançar o alto da torre e destruir o Arquiteto, àquele quem criou o mundo, as blades, os titãs e tudo o mais. O cara teve um passado ferrado e perdeu totalmente a fé na humanidade, além de enxergar as blades apenas como ferramentas para seus propósitos.

Como Almathus está ocupado com a Torna, Rex e cia partem pra impedir Malos e Jin, que também sobem a árvore pra tentar alcançar o Arquiteto e também destruir tudo(afinal, como foi Almathus quem foi o driver de Malos, este acabou influenciando o mesmo no seu modo de agir e pensar e ambos acabaram pensando de formas parecidas).

E quando ele enfrenta Jin, Rex...

Sim, ele diz isso em pleno embate final...

Sério...

E com isso ele consegue convencer Jin, uma blade fundida com o coração de uma humana e que quer alcançar o Arquiteto para perguntar por que ele criou as blades de forma que sempre que seus drivers são mortos, elas voltam para seus cristais e quando são despertadas novamente não se recordam do seu passado, como se suas existências fossem descartáveis...

Porém Amalthus surge em sua forma tentáculos(Japão sendo Japão) para impedir a equipe de alcançar seu objetivo e finalmente conseguir destruir o mundo inteiro. Mas Jin sacrifica o resto da sua vida para derrotá-lo, e antes de morrer diz pro Rex parar o Malos!

A DESGRAÇA DO CARA TINHA A MESMA CONVICÇÃO DURANTE SÉCULOS E MUDA DE OPINIÃO DEPOIS DE 5 MINUTOS DE CONVERSA COM UM MOLEQUE GENÉRICO DE BATTLE SHOUNEN RUIM? É SÉRIO ISSO?

Após isso o grupo finalmente alcança o arquiteto, que não é ninguém mais, ninguém menos que Klaus, o mesmo cientista vilão de Xenoblade Chronicles 1, ou melhor dizendo, metade dele já que o cara se dividiu em 2 depois do experimento que modificou o universo... Então por que ele não era só metade no jogo anterior também? Inconsistências à parte, ele explica como criou aquele mundo, como uma forma de se redimir por ter feito aquele experimento que gerou várias dimensões alternativas. E em meio a tudo isso, o que Rex responde?

Depois dessa resposta suuper madura e séria, eles se dirigem para enfrentar Malos, e obviamente o pobre Aegis apanha feito vaca na horta...

E ANTES DE MORRER TAMBÉM SE ARREPENDE DO QUE FEZ! QUE TIPO DE LAVAGEM CEREBRAL O REX FAZ COM AS PESSOAS QUE ELE DERROTA, AFINAL????

E no final de tudo o mundo é restaurado, um continente surge e Pyra e Mythra surgem separadas e todos vivem felizes pra sempre!!!!!

E após tudo isso, podemos nos perguntar: O QUE FIZERAM COM A TRAMA DE XENOBLADE???? Eles tinham todas as ferramentas para fazer um plot muito superior ao de todos os xenos anteriores, mas ao invés disso fazem a coisa mais genérica e trivial o possível! Vários aspectos que o jogo mostra poderiam ser muito melhor explorados em torno dos 10 capítulos de duração do mesmo, contudo a história começa pra valer mesmo no capítulo 8, e até chegar nele o jogo perde tempo com muita coisa estúpida e desnecessária, como...

Um enfoque gigantesco em Tora, o Nopon, mostrando seu reencontro com seu papai e o drama com a empregada robô do mesmo, que enxerga a Poppi como irmãzinha e o caralho a 4... Em contrapartida Riki, do primeiro Xenoblade, tinha destaque 0 e só cumpria seu papel de mascotinho, fazendo alguma piada ou comentando alguma coisa aqui e ali. Afinal ESSA É A UTILIDADE DE MASCOTES EM VIDEOGAMES e não tomarem destaque do elenco principal... Pois quem levaria uma coisa dessas a sério?

Enquanto detalhes como a existência das Blades e o fato da memória delas ser apagada, o que poderia render muita coisa é totalmente deixado de lado... Mas como algo pode ser levado a sério em uma trama protagonizada por um moleque como o Rex?

Um adolescente imaturo como protagonista gera mais problemas em uma trama do que aparenta, pois deixando alguém que não tem experiência, habilidade ou maturidade para criticar o mundo que o cerca com o enfoque principal implica em mudar todo o mundo que o cerca também, de modo que a maneira como ele age seja inspiradora e não estúpida. Por esse motivo os adultos em Xenoblade Chronicles 2 ou são vilões(como Amalthus), ou são idiotas(como Zeke) ou mesmo não possuem personalidade(como Mòrag) e com isso toda e qualquer seriedade na trama vai pro saco. 


Sim, a trama de Xenoblade Chronicles 2 é terrível, sendo a pior de todos os Xenos até então(mesmo Xenogears, aquele poço de falta de carisma, consegue ser melhor do que este battle shounen mal acabado)... Mas e quanto ao gameplay? 

Infelizmente o jogo continuou com a influência forte de MMORPG dos seus dois antecessores, com direito a ataques automáticos, aggro e tudo o mais. Porém, por incrível que pareça conseguiram deixar o gameplay mais dinâmico e menos cansativo do que outrora! Novamente só é possível controlar 3 personagens por batalha, sendo apenas um deles diretamente movimentado pelo jogador, e os outros dois pela IA(e também não é possível mudar de personagem no meio do combate). 

Existem ao todo 5 personagens jogáveis no jogo, chamados de Drivers. E são eles:

Rex, o protagonista estúpido e causa dos principais problemas do game e que costuma fazer lavagem cerebral nos outros com a sua doutrinação a respeito do Ellysium e seus valores da juventude, como nunca desistir, ser sempre otimista, tudo irá melhorar e tudo o mais, que apenas pré adolescentes que gostam de Naruto levam a sério no mundo real.

Nia, membro da Torna, que decide acompanhar o Rex e acaba gamando nele(qual o seu problema, nekogirl???). Na verdade ela é uma Blade, e tal como o Jin possui partes humanas, fazendo dela conseguir lutar por conta própria e até usar outras Blades. Por incrível que pareça a é a melhor personagem do núcleo principal, e quando uma menina gato que gosta de um protagonista genérico é a melhor personagem de uma trama, pode ter certeza que tem alguma coisa de errado com ela... Após determinado momento no jogo, é possível usá-la como Blade, mas sua utilidade como Driver é bem mais vantajosa.

Depois de Rex, Tora é o pior personagem do jogo e prova final de que não se deve dar destaque pra mascotinhos. Jamais. Como ele, seu pai e seu avô eram dois fracassados, daí resolveram construir uma blade maid, já que não podiam ressonar com uma de verdade e o resultado foi uma das sequências mais estúpidas do game, onde você precisa enfrentar... Uma empregada robô chibi gigante. Sério.

Antes de tudo, Morag é sim, uma mulher. Ela é irmã do Imperador de Mor Ardain(um moleque mais novo que o Rex... O que esse jogo tem contra adultos, afinal?) e vivia bancando a inquisitora, punindo as ameaças para o império de seu irmãozinho... Até conhecer Rex e se sentir empolgada com uma terra utópica que seria a resposta pra todos os problemas do mundo. Sua personalidade praticamente inexiste, até parece que ela veio de Xenogears...

E por último, Zeke... O príncipe coroado de um reino de covardes mentirosos... No começo do game ele agia igual a Equipe Rocket, tentando atacar Rex e sua turminha e sendo lançado longe ou caindo em algum precipício... E no fim se alia à turminha do barulho porque sim, né?

Cada personagem tem acesso a um affinity chart, que dá a eles acesso a skills exclusivas, que vão desde deixar algum ataque com o cooldown cheio antes da batalha começar quanto aumentar algum status, como strenght ou luck. E para conseguir essas skills o personagem precisará de Skill Points(ou SP) que são ganhos no final de cada batalha, junto com o XP.

Cada um dos personagens possui afinidade com uma função específica(Rex e Zeke são mais atacantes, Nia é Healler e Tora e Morag Tankers), porém isso também pode ser mudado dependendo da Blade que o personagem estiver usando no momento.

As Blades são sem dúvidas a cereja do bolo de Xenoblade 2. Elas funcionam de maneira parecida com as Rayvateils de Ar Tonelico 2: são personagens que dão suporte pros personagens jogáveis, mas ao contrário destas elas não levam dano na batalha e não precisam ser protegidas enquanto isso. As Blades não influenciam apenas a função do personagem, como também o tipo de battle art que o mesmo poderá desferir, que nada mais são que ataques mais fortes que os golpes automáticos e que necessitam de certo tempo, ou cooldown, para serem usadas novamente.

As battle arts que Rex pode usar quando está equipado com Pyra/Mythra. O poder destas pode ser aumentado usando Weapon points, que são ganhos junto com o XP e o SP após cada batalha

Cada uma das blades possui uma arma com um alcance, dano e battle arts diferentes e cada uma delas tem efeitos diferentes em cada personagem(por exemplo, uma blade com um machado pode ter skill X em Nia e skill Y em Zeke e por aí vai). 

E como conseguir as blades? Algumas são cedidas para o jogador no decorrer do plot(Pyra/Mythra, Dromarch, Rock, Pandora, Brighid e por aí vai), outras por sidequests, mas a maioria esmagadora é através dos Core Crystals. Eles são de 3 tipos(common, rare e legendary) e cada um sempre dará uma blade para o jogador... 

Contudo, quase sempre sairão destes cristais essas blades genéricas, que são extremamente fracas se comparadas com as que o jogo te dá. Porém, além delas também existem as Rare Blades, que são extremamente poderosas, porém muito difíceis de serem conseguidas.

     KOS-MOS, de Xenosaga, faz sua aparição triunfal nesse game como uma blade também

Existem alguns boosters que podem ser usados antes de se invocar a blade e que podem aumentar suas chances de conseguir uma rara(além dos cristais rare e legendary te darem uma maior probabilidade também), entre outras coisas, mas em suma tudo dependerá da conhecida RNG, ou simplesmente sorte, do jogador. Felizmente as Blades que o jogo te dá são muito eficientes, o que não te faz depender da sorte pra conseguir uma boa equipe. Mas pra quem é complecionista o jogo pode ser bem cruel, pois existem blades com uma taxa de 1% de chance de se conseguí-la, isso nas melhores condições!

Entre as Blades que o jogo te dá uma se destaca: Poppi, a blade artificial de Tora. Ela é altamente customizável, com você podendo mudar toda e qualquer habilidade da mesma. Isso sem contar que ela possui 3 formas diferentes(uma loli, uma maid e uma robô sexual :P), uma com mais slots para se equipar novas funcionalidades do que a outra.

Para conseguir equipamentos para ela é necessário passar as fases de um minigame na casa de Tora chamado Tiger Tiger, nada menos do que um joguinho 8 bits de pegar baús. 

Para se tunar as 3 Poppis será necessário um tempo enorme jogando esse negócio, mas não deixa de ser a melhor opção para quem não tiver muita sorte com as Rare Blades ou quiser investir seu tempo naquela que pode vir a ser a Blade mais quebrada do game.

Em combate essa linha que fica ligando driver e blade e simboliza a afinidade entre ambos. Com o passar do combate e quanto mais golpes forem desferidos esta irá aumentar e quanto maior a afinidade de ambos, menos cooldown os golpes terão.

Cada personagem pode usar 3 blades ao mesmo tempo e elas podem ser trocadas no meio do combate, tornando as batalhas ainda mais variadas. Detalhe que as blades que forem trocadas terão afinidades diferentes. Também existe um cooldown que te impede de trocar as blades a todo momento, fazendo que o jogador tenha que esperar até poder trocar de parceiro. Porém, Pyra e Mythra são uma exceção, já que podem trocar de lugar a qualquer momento, sem espera alguma! 

Pyra e Mythra têm outra vantagem também. A partir de determinado ponto do game, se a afinidade de uma delas estiver no máximo, e a party gauge também, elas poderão se transoformar em sua forma original de Aegis, Pneuma, causando um dano massivo por um curto período de tempo e apenas uma vez por embate. Mas só isso é o suficiente para derrotar inimigos em segundos!

Além dos golpes automáticos e ataques normais, as Blades também dão acesso a especiais, ataques poderosos imbuídos com o elemento da mesma, e quanto mais battle arts forem desferidas, níveis maiores de especiais poderão ser usados. Todos eles possuem esse puzzle com o botão B(puzzle que se for concluído o golpe causará um dano maior), e possuem ao todo 4 níveis diferentes, sendo o último utilizável apenas quando a afinidade entre blade e driver estiver no máximo. Detalhe que se o driver morrer em combate a afinidade é zerada.

Outra vantagem de Xenoblade 2 é que é possível decidir quando os outros 2 personagens controlados pela IA usarão seus especiais. E isso é muito útil, pois torna possível o uso dos Blade Combos.

Esta imagem mostra a possibilidade dos blade combos. Parece complicado, mas na verdade é mais simples do que aparenta: cada blade possui um elemento específico, e por isso todo golpe especial que ela desferir será do mesmo elemental dela, e após o golpe ser desferido um cooldown aparecerá no topo da tela e se nesse meio tempo outro ataque elemental específico for desferido por qualquer personagem da sua equipe o combo irá pra próxima etapa e após outro ataque ele resultará em um ataque especial poderoso, tal como em um efeito no campo que selará alguma habilidade do inimigo(como a de chamar reforços ou anular os efeitos da sua blade) e também deixará um orbe elemental rodeando o mesmo.

E qual a utilidade desses orbs? Bem, eles podem ser extremamente úteis em um chain attack.

O Chain attack segue a mesma lógica do primeiro Xenoblade, sendo um ataque combinado dos 3 personagens ativos da party. Para desferí-lo a party gauge(barra no canto superior esquerdo da tela que é preenchida à medida que ataques vão sendo desferidos pelos personagens) precisa estar completa e cada um dos personagens poderá desferir um especial de uma das blades disponíveis.

Para que a chain prossiga os orbs precisarão ser quebrados e para que isso aconteça precisam ser acertados 3 vezes e cada especial só contará com um acerto por vez(duas, se um golpe do elemento contrário for usado ou um ataque em todos os orbs, se Pneuma atacar). A cada orbe destruído uma barra no canto superior direito da tela será preenchida e quando chegar ao máximo o último personagem a atacar desferirá o Full Burst attack combo, causando ainda mais dano!

Também existem vários status negativos que podem ser desferidos no oponente, como break e topple, que já existiam no primeiro Xenoblade. Mas além deles também existem àqueles que selam sua blade, selam seu driver ou mesmo que te jogam pra cima e te fazem rodar feito um pião em pleno ar! Usar esse status, Launch, a seu favor, é extremamente útil para fazer os Driver combos, que tiram um alto dano do adversário, além de fazê-lo dropar vários itens! Resumindo: são inúmeras maneiras de se derrotar o oponente, deixando o gameplay bem mais dinâmico que no primeiro game. Claro que ainda não é um action RPG de verdade, mas já é um bom começo.

Outra facilidade que Xenoblade 2 trouxe foi com relação ao gridding. Por ser muito parecido com um MMORPG, estar níveis acima do seu adversário é bem importante para uma boa vitória, mas aqui subir vários níveis não é uma tarefa difícil. Além do XP normal adquirido em batalhas normais(detalhe que finalizar um inimigo com um Chain attack aumenta o XP adquirido no final da batalha) também existe o Bonus XP, que é conseguido realizando sidequests. Com ele você pode subir níveis dormindo nos Inns.

Existem inúmeras sidequests no game, que são adquiridas falando com os NPCs na cidade e  praticamente todas dão Bonus XP, mesmo as de caça de monstros e itens. E além destas que você diretamente faz, também tem as quests do Grupo de Mercenários, onde você manda suas Blades que estão em stand by fazerem o trabalho sujo pra você!

A diferença é que elas têm um tempo limite real pra serem concluídas e nesse meio tempo as blades mandadas pra cumprir as quests se tornam indisponíveis para uso(ainda é possível chamá-las de volta, e com isso a missão não é terminada). Também existe um nível para sua guild de mercenários, e quando um grau superior é atingido, missões novas se tornarão disponíveis e você poderá guardar mais blades, já que existe um limite para o número delas que você poderá ter ao mesmo tempo.

O overworld, tal como nos dois jogos anteriores, é muito bonito e imenso. Tal como no Xenoblade 1 algumas áreas só se tornam disponíveis quando a trama decidir, não te permitindo explorar tudo como deve, mas isso não impede de ter muita coisa pra se ver no game.

Volta e meia são encontrados baús do tesouro, que podem conter itens e dinheiro. Teria sido legal ver coisas como os mimics de Dragon quest aqui também.

Também existem os pontos onde Rex pode fazer o que sabe fazer de melhor: catar lixo no fundo do mar. Salvaging pode render itens muito bons, além de ser a melhor maneira do jogo de se conseguir grana rapidamente, já que nas cidades existem locais onde se trocam os itens que se encontra nisso por... Dinheiro!

               E de quebra você pode levar alguns boosters, pra ajudar a invocar Blades

Além desses locais, nas cidades também se vendem itens que melhoram as armas das blades. Estes também podem ser dropados de monstros/encontrados em baús também.

Também existem acessórios, tanto para os drivers quanto para as blades, dando algum boost em combate ou resistência a status negativos.

Também vendem coisas aleatórias, como jogos, vegetais, pães, doces, bebidas, pratos e mais um monte de cosias, que servem pra dar algum boost nas batalhas por um certo período de tempo...

Além disso cada blade possui um gosto peculiar para esse tipo de coisa e se ela gostar dos itens usados, isso aumentará a confiança/trust dela em você.

Detalhe que confiança/trust é diferente da afinidade, que influencia o combate(apesar de que a afinidade maximizada em batalha pode aumentar a confiança quando o embate terminar). Tal como os drivers, as Blades também tem seu affinity chart, mas possuem modos diferentes de se ganhar mais habilidades e a confiança que ela têm no driver influencia e muito em skills mais poderosas. 

Cada blade tem também skills que funcionam como os HMs de pokémon e servem pra transpassar obstáculos ou conseguir acessar áreas secretas ou mesmo baús. Isso deixou a exploração do game com um Q a mais, na que nunca se sabe que tipo de coisa encontrará atrás de algo assim. 

Também temos os Heart to Heart, conversas dos personagens que podem ocorrer em qualquer lugar do mapa. A maioria deles é estúpido e só serve pra mostrar ainda mais como o elenco desse jogo carece de qualidade, mas outros, em especial os exclusivos de algumas blades(cof! cof! KOS-MO, cof! cof!), são até interessantes.

E também existem os Unique monsters, que são versões mais poderosas dos inimigos comuns, que possuem toneladas de HP e costumam dar um bom trabalho no começo do game, quando seus recursos(e blades) são escassos. Mas lá pro mid/end game essa dificuldade vai a praticamente zero e praticamente tudo no jogo vira seu saco de pancadas, tal como qualquer game onde a dificuldade seja relativa aos recursos que você possui e não às suas reais habilidades.

Claro que mesmo assim Xenoblade 2 é bem mais permissivo que seu antecessor nesse ponto, já que o limite de níveis não é tão, digamos, opressor quanto era no primeiro game. Com personagens bem treinados pode ser possível derrotar inimigos de níveis mais altos, desde que seus personagens estejam bem preparados.

KOS-MOS em sua sidequest exclusiva, dando um show de como ser um personagem de verdade, huahua

Os gráficos do jogo estão mais lindos do que qualquer outro Xenoblade, a modelagem realmente é de cair o queixo, com cenários bem elaborados e tudo o mais. Mesmo com as blades desenhadas por vários artistas diferentes passam sua peculiaridade no traço quando estão em model 3D(até os personagens desenhados pelo Tetsuya Nomura continuam a com porcelain face característica dele). A trilha sonora é boa, mesmo não alcançando o nível épico do Xenoblade 1, mas com um plot desses, já era de se esperar, né...

Concluindo...

Xenoblade Chronicles 2 é, sem dúvidas, o reflexo direto da atual situação da indústria japonesa se entretenimento atual. Paletas de cores vibrantes, personagens infantis(e quando são adultos, possuem feições ou agem como crianças), abordagens estúpidas e potencial desperdiçado. Os hoje conhecidos como JRPGs são diretamente influenciados por isso, basta vermos o principal motivo que levam jogadores novos a terem preconceito contra os role playing game nipônicos: TODOS PARECEM IGUAIS! Claro que, para aqueles já acostumados com esse tipo de jogo, sabem que história não é tudo e que se o gameplay for satisfatório, o resto pode ser muito bem relevado.

Mas voltemos à Xenoblade Chronicles 2... O seu plot estúpido pode ser relevado em prol do seu bom gameplay? Um jogo que carrega o legado de vários anos de plots que se destacaram entre os demais, de personagens sérios e bem elaborados e principalmente, de um antecessor com o melhor plot visto em anos em um JRPG? A resposta é obviamente não. Toda e qualquer crítica ao enredo de Xenoblade 2 é válida porque sim, ele tem um péssimo enredo, é lotado de clichês, personagens ruins, um pacing terrível e possui uma continuidade completamente desnecessária. Ele poderia tranquilamente se chamar outra coisa que não faria a menor diferença, sendo quase um novo Chrono Cross, se não fosse por seu gameplay...

Por fim, Xenoblade Chronicles 2 não é um jogo ruim. Ele possui um bom gameplay que consegue entreter e imergir o seu jogador, somado a gráficos lindos e uma trilha sonora razoável. A sua história, porém, é terrível e a menos que se desligue completamente o cérebro, é impossível levar a sério qualquer coisa dita ou feita por esse terrível protagonista com nome de cachorro... É esperar que um futuro jogo corrija ao menos isso, já que, com o sucesso que esse game teve, dificilmente voltarão ao estilo mais sério e épico de outrora...

4.5 4.5 10
Overall
6.5 Gameplay
1.5 Story
6.5 Music
7.5 Graphics
Gráficos lindos
Gameplay extremamente melhorado de seu antecessor
A possbilidade de usar várias blades em batalha
Gridding extremamente diminuído
História terrível
O protagonista Rex
Ainda muita influência de MMORPG

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