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jcelove José Carlos

Reinforcements? I am the reinforcements. —Ashley Riot


9 months ago 2018-10-20

Kingdom Hearts 358/2 Days

Kingdom Hearts é uma série difícil de explicar pra quem não conhece. A forma mais básica de resumir é dizer que se trata de um Action Rpg cruzando a estética e personagens da série Final Fantasy com Personagens de diversos filmes da Disney. 

Artes das coletâneas HD que agrupam os jogos da série e são e melhor forma de jogar hoje em dia

Pela bizarrice da ideia era de se esperar que fosse um jogo com enredo simples e muito fanservice, MAS o pessoal da Square-Enix, chefiado por Tetsuya Nomura resolveu criar uma narrativa que começou confusa e se tornou algo extremamente ambicioso e complexo nas diversas continuações e spin offs que se mantém até hoje quando os fãs aguardam ansiosamente pelo desfecho da trama estrelada pelo herói Sora e sua turma, 18 anos depois do jogo original no Playstation 2.

358/2 Days é um desses spin offs. Desenvolvido em paralelo a Kingdom Hearts 2 e lançado um pouco depois dele para o Nintendo DS, narra a história de Roxas e da famigerada Organization XIII (que apesar do nome tinha 14 membros).

O enredo do jogo se passa durante e após KH Chains of memories (GBA/PS2) e antecede os eventos de KH2 se propondo a explicar todos os pontos soltos dos jogos anteriores em relação a quem é Roxas, qual o objetivo da Organização e o que aconteceu durante os 358 dias em que permaneceu com o grupo (dai o título bizarro). 

Assim como todos os spin offs da série, 358/2 Days é essencial pra entender os eventos dos jogos posteriores, mas acabou passando batido pra muita gente por ter sido um exclusivo do NDS, o que foi um grande problema pra quem jogou o primeiro jogo e foi direto pro 2. 

O desenvolvimento da amizade do trio Axel, Roxas e Xion é o principal destaque da narrativa

Acompanhando a história completa o enredo já era complexo, imagina sem ver dois jogos que se passam entre os jogos numerados? E não foi a unica vez que aconteceu. A S-E lançou os jogos da série em várias plataformas diferentes tornando quase impossível todo mundo acompanhar de forma correta. Não é atoa que a franquia KH é conhecida como uma das histórias mais (desnecessariamente) difíceis de entender dos games.

Felizmente o jogo foi relançado junto com a coletânea HD para PS3 e PS4 só que na forma de visual novel/filme com um compiladão das cutscenes e textos nas partes que representariam as missões do jogo. Mas porque fariam uma coisa dessas?

Simples, porque além da óbvia preguiça/dificuldade da S-E em refazer TODO o jogo do DS, o gameplay de 358/3 Das é extremamente maçante e repetitivo.

A versão inclusa no remaster pra PS3 e 4 tirou as partes de gameplay e virou uma mistura de visual novel e movie, agrupando as cutscenes do jogo. Acredite, isso foi uma coisa boa...

Kh sempre teve uma jogabilidade divertida cujas principais características eram agilidade do personagem e possibilidade de exploração nos cenários inspirados em grandes clássicos de animação da Disney. 358/2 Days ainda tem (um pouco) disso, mas apesar de divertidos os combates começam a cansar rapidamente por causa de progressão extremamente arrastada da história.

No modo Story o jogador percorre os 358 dias em que Roxas, (um personagem bem querido pela fanbase e que tem fortes ligações com o protagonista principal da série),  pertenceu a misteriosa Organization XIII.

O jogo se resume a sair do hub no castelo da Organização pra fazer uma das missões (chatas) e ver as cutscenes. Ad eternum U_U

Basicamente o que Roxas faz em cada dia é escolher uma das missões disponíveis que variam entre caçar bosses, coletar corações (matando heartless), encontrar outro membro da equipe ou recuperar emblemas ou outro item.

Geralmente são 3 missões disponíveis por vez sendo uma ou duas obrigatórias pra avançar na história e um opcional. Uma forma de rushar o jogo é fazer apenas as obrigatórias MAS isso não é recomendável porque perde materiais e itens (geralmente exclusivos) das missões opcionais.

Não seria um grande problema se o sistema de evolução do jogo não fosse baseado totalmente em grind e farm de materiais, como num MMO. O jogador acaba obrigado a fazer todas as missões, as vezes repetir várias delas pra conseguir materiais suficientes pra forjar uma skill, arma ou receitas de magias.

Como se isso não já não fosse um problema pra maioria das pessoas, as missões se passam nos mesmos 4 ou 5 cenários, sendo que os 3 primeiros se repetem por horas antes de passar pra um novo. Pra quem estava acostumado a viajar por diversos mundos da Disney, completar a história de lá em uma ou duas missões e passar pra um novo mundo isso é bem frustrante.

Alguns bosses são extremamente irritantes...

Outra coisa que tende a ser frustrante são as boss fights, mas quem já está acostumado com os bosses da série não deve ser uma novidade. Dois chefes em especial são extremamente difíceis se vc são tiver as skills certas.

#58/2 Days ao invés de fazer uma narrativa no estilo mais tradicional da série como Birth by Sleep (PSP) fez magistralmente tentou adapta-lo a um formula mais portátil” que permite jogar em pequenas sessões.

Se ao menos tivessem uns 12 mundos e cenários variados neles talvez fosse menos cansativo. Do jeito que ficou parece apenas “encheção de lingüiça” pro jogo durar os mais de 300 dias do título. E olha que mais de 100 dias são pulados pela própria história.

Então a repetitividade e os poucos cenários acabam com a diversão? Também, pois ainda tem mais um elemento nada divertido nessa equação: o inédito Panel System.

Skills, arma, magias, itens e até os níveis do Roxas devem ser alocados em um painel que lembra uma área de tetris, cada item dos citados acima tem uma forma diferente e o jogador é obrigado a estar constantemente encaixando o que der, da melhor forma possível já que a cada missão se ganha itens, skills e level.

Mas primeiras horas, assim como o esquema de missões, é até legal, mas depois de um tempo passa a ser mais irritante que arrumar as junctions de FF VIII até porque, ao contrário do jogo do Squall, não se tem opção de arrumar automaticamente.

Esses 3 elementos (missões repetitivas, poucos mundos e panel System) deixam o gameplay beirando ao insuportável depois de algumas horas e mesmo a história interessante e triste do Roxas e seus amigos Axel e Xion acaba perdendo um pouco do seu brilho, ou totalmente já que teve gente que não aguentou jogar até o final, nem pela história (eu quase fui um desses, precisei de 2 meses de rage quit pra encarar até o final)

Pra não dizer que todas as novidades do jogo são ruins, o sistema "limit break", que permite desferir uma sequencia de ataques super rápidos e fortes quando se esta quase sem HP é bem legal e muito útil, principalmente nas boss fights.

Com uma campanha que dura quase 30 horas se o jogador fizer todas as missões o jogo acaba sendo recomendável APENAS pra fãs hardcore da saga, daqueles que curtem qualquer coisa com a marca. Dificilmente agrada outro perfil de jogador e de jeito nenhum é uma boa opção pra quem não conhece nada de Kingdom Hearts. Ele não contextualiza muita coisa do enredo, sendo obrigatório jogar ou conhecer ao menos as histórias do H 1 e do Chains of Memories antes de joga-lo.

Conforme se avança na história se libera mais personagens no modo Missão do jogo que é grande destaque dele: poder jogar com até 4 amigos via wi-fi. Ao final ficam disponíveis além dos 13 integrantes da organização, Sora, Mickey, Riku, Donald e Pateta pra serem jogados nesse modo, que deve ser a forma divertida de jogar esse game, mas infelizmente muito difícil de fazer acontecer a essa altura do campeonato. Seria bacana pudesse jogar as missões de história em multiplayer, talvez ficasse menos chato.

Enfim, hoje em dia a melhor forma de “jogar” KH 358/2 Days é através dos remasters HD lançados pro PS3 e 4 na forma de Visual Novel/Filme. 

Apesar do apelos constantes do Axel pra que se deixe tudo memorizado, eu prefiro é esquecer do gameplay desse jogo. Roxas e Xion mereciam coisa melhor...

6.5 6.5 10
Overall
6.0 Gameplay
8.5 Story
8.5 Music
8.5 Graphics
Gráficos e jogabilidade bacanas pro DS
Personagens e história
As músicas em KH sempre são legais
Muito grind
Missões repetitivas ao extremo
Poucos mundos pra visitar
Panel System

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