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tonyhoro Tony D. Horo


over 6 years ago 2013-06-13

Paper Mario: Sticker Star

Meus amigos, antes de começar essa critica, preciso situar vocês sobre minha relação com a série Paper Mario: Aluguei, em meados de 2003, o primeiro Paper Mario. Mesmo com meu conhecimento mínimo de inglês na época (ora, eu tinha 12 anos), consegui me apaixonar pela jogabilidade, história e pelo mundo que o Nintendo 64 ainda era capaz de gerar naquela época, mesmo que o jogo tivesse sido lançado 2 anos antes. Fora isso, tinha o fator RPG, que era algo que a plataforma não oferecia em grandes quantidades.
Bem, o tempo passou e, anos depois, tive a oportunidade e a felicidade de ver que a sequência - Thousand Year Door - pra Gamecube, era um jogo tão lindo e bem feito quanto o primeiro; jogabilidade, narrativa, história e a ambientação... tudo foi melhorado de forma que até hoje, mais de 4 anos desde a última vez que joguei o game, ainda tenha as músicas e a temáticas na minha cabeça, todas fresquinhas como se eu tivesse jogado no último fim de semana.

Pois bem, mas aí foi o fim de tudo. Super Paper Mario foi feito numa época um pouco turbulenta da Nintendo, onde o foco eram os jogos mais casuais que compensassem a falta de títulos de peso pro Wii. Fora isso, ainda tinham os jogos da série principal do Mario, que fizeram muito sucesso e tiraram o foco do Miyamoto, deixando a Intelligent Systems encarregada de quase todo o desenvolvimento.
Não sei se isso foi o problema, mas sinto que faltou um dedo do Pai do Mario nessa história toda, tanto que o jogo foi mal recebido e praticamente esquecido até pelos fãs mais ávidos da Big N.

E é nessa situação que eu me encontrei, descrente da série Paper Mario devido ao fracasso do último jogo, tentando recuperar a fé que tinha na série com a versão para 3DS. Os trailers na época antes do lançamento me animaram: "Adesivos? efeitos 3D? Tudo feito de cartolina e papelão? Parece bom!"

Sim, todos esses fatores realmente fazem a alegria dos olhos dos jogadores, mesmo depois de jogar o game. Mas, assim como em Super Paper Mario, faltou uma mãozinha do mestre ali pra fazer daquele jogo algo que valesse o nome da franquia. Falo isso porque todas as qualidades e inovações do game poderiam trazer um ar novo pro RPG, mas foram aplicadas de maneira que pra mim beiraram a preguiça, tornando a experiência entediante depois de umas 3 horas de gameplay. Agora, vou separar os fatores por tópicos, afim de facilitar o entendimento:

-Jogabilidade
Nisso não podemos reclamar muito. Paper Mario sempre teve um dos sistemas de batalhas mais intuitivos e divertidos do mundo do RPG. Use seu martelo, aperte o botão novamente na hora certa pra aumentar o dano e tente se defender quando seus inimigos forem te encostar. Tudo isso volta nessa versão. Mas um problema sério, ao menos pra mim, foi a falta de um sistema de experiência. Você não sobre de nível, e seu personagem evolui de acordo com os adesivos ("Stickers") que ao desenrolar do jogo vão aparecendo stickers mais fortes, que definem a força dos seus ataques.
O grande problema que não foi considerado, é que esse sistema induz o player a não gastar seus adesivos, ao mesmo tempo que a falta de um sistema de EXP diminui mais ainda a vontade de enfrentar inimigos. Imagina você com um deck composto só de stickers fortes, tendo que passar por uma horda de goombas relativamente mais fracos que você; em outras versões você enfrentaria os inimigos, para poder evoluir seu personagem, mas em Sticker Star você esse tempo basicamente correndo dos inimigos, já que lutar com eles não traz nenhuma vantagem.
Um outro problema, talvez o que mais tenha me incomodado, é que o game não é intuitivo. Por vezes você tem que encaixar objetos no cenário para prosseguir, mas o jogo não deixa a entender o que deve ser feito; ele simplesmente de trava numa parte do cenário com um slot indicando que algo deve ser colado ali, fazendo com que você gaste suas moedas do jogo em todos os adesivos possíveis até que algum funcione e te deixe prosseguir. As dicas da Kersti (personagem que te acompanha durante o jogo) não ajudam em absolutamente nada e o pior: se você coloca um objeto errado você perde o mesmo, fazendo com que você desperdice algo que poderia ser usado mais a frente.

-Som
Nada que te faça lembrar futuramente. Existem alguns remixes de músicas clássicas do Mario, o que já é um costume da série, mas o tema mais marcante do jogo todo é uma versão da música do Starman (estrela de super-força) que toca durante um momento derradeiro da história. E mesmo assim, não é lá grande coisa.

-Gráficos
Tudo que os trailers prometeram está lá. O efeito 3D combina muito com a estética do jogo, que dessa vez absorveu de vez a temática "papel"; tudo é feito com cartolina, papelão, plástico e outros materiais do tipo. Existem também as "coisas" (things) que são objetos do mundo real que podem ser usados tanto em batalha quanto no mundo do jogo, dando um contraste meio cômico e por vezes divertido.

-História
Miyamoto disse que, por ser uma versão portátil, o game ia se focar muito mais no gameplay do que em uma história, já que de acordo com uma pesquisa feita com jogadores, os mesmos estão mais interessados na jogabilidade do que em saber como o Mario vai salvar a Peach pela enésima vez.
Ok, concordo que jogabilidade sempre deve ser mais importante que história, mas não há um modo de nivelar isso? A história de Sticker Star é PASSÍVEL, não há um desenrolar e acho que, por se tratar de um RPG, isso deveria ter sido tratado com mais esmero. Thousand-Year Door é um exemplo de como contar uma história de forma divertida, deveriam ter se espelhado nesse jogo.

-Fator Replay
Após o termino do jogo (que pode ser finalizado em menos de 24 horas, se você não tiver uma vida social), você ainda tem um museu na cidade principal, onde o único objetivo é colar os stickers que você conseguir, afim de completar uma espécie de album. Mas esse objetivo não é automático: você tem que literalmente pegar os adesivos, ir até a cidade, entrar no museu, achar a sala onde devem ser colados os stickers (perdendo-os) e depois sair pra coletar mais. Na minha opinião uma tarefa nem um pouco divertida. Há também 5 lugares no mundo inteiro do jogo onde o Luigi se esconde. Seu objetivo é encontrá-lo para que, no fim, a única diferença seja ele aparecendo caminhando no final do jogo. MAIS NADA.

Resumindo: A primeira vista o jogo parece trazer de volta tudo que fez a versão A4 do Mario se consagrar, mas depois se descobre que o jogo é apenas uma tentativa apressada e mal trabalhada de trazer de volta um dos melhores jogos do bigodudo.

7.0 7.0 10
Overall
7.5 Gameplay
6.0 Story
7.0 Music
9.0 Graphics

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