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Bastidores da série Sonic - da onde vem a rivalidade com o Mario?

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"De quem você gosta mais, do Sonic ou do Mario?", essa pergunta representa uma rivalidade existe até hoje, mas sem dúvidas, ela teve seu auge durante a primeira metade dos anos noventa. No entanto, você já se perguntou o por quê?

Durante os anos oitenta, a Nintendo dominava 90% do mercado de consoles tanto nos Estados Unidos quanto no Japão com seu Nintendo Entertainment System, mais conhecido por nós como Nintendinho 8 bits, lançado originalmente em 1982.

Eventualmente, a SEGA, que já era "gigante" nos arcades e também muito famosa por jogos parecidos com os de cassinosjogos de apostas, resolveu entrar no ramo de consoles também, lançando alguns protótipos no Japão que eventualmente rendeu o Master System em 1984, videogame que era tecnicamente superior ao concorrente, mas que não conseguiu emplacar grande sucesso nos dois principais mercado. Nesse contexto, ela decidiu ser mais ousada, e em 1989 lançou o Mega Drive, um console 16 bits que era muito superior ao Nintendinho, com visuais e músicas excelentes para os padrões da época.

Com seu lançamento, a equipe norte-americana da SEGA, chefiada pelo ex CEO da Mattel, Tom Kalinske, decidiu que uma boa estratégia para valorizar o Mega Drive era fazer uma campanha de marketing bem agressiva que ridicularizasse a Nintendo. O primeiro jingle para comerciais de TV era "Genesis Does What Nintendon´t" (O Mega Drive faz o que o Nintendo não faz), sendo modificado anos mais tarde para o "Welcome To The Next Level" (Bem vindos a próxima fase) quando o Super Nintendo foi lançado.

Já no Japão, o presidente da SEGA, Hayao Nakayama, solicitou aos seus funcionários que desenvolvessem um jogo que vendesse, no mínimo, um milhão de cópias e que substituísse o Alex Kidd como o mascote da empresa. Para isso, uma competição interna foi realizada para apresentarem um personagem carismático, e o vencedor foi o Mr.Needlemouse de Naoto Ohshima, personagem que eventualmente foi renomeado para Sonic.

Ao apresentar seus conceitos para Nakayama, Ohshima disse que imaginava um jogo onde o personagem pudesse correr por loopings e utilizasse o próprio corpo para atacar inimigos. Ao ouvir essas palavras, Nakayama disse: "A pessoa que pode fazer um jogo assim é o Yuji Naka", um talentoso programador que estava se destacando dentro da SEGA pelo seu bom desempenho em jogos como Phantasy Star e Fatal Labyrinth.

O desenvolvimento teve várias ideias pensadas e descartadas, além de intervenções da SEGA Americana que suavizou o personagem para ter um apelo mais ocidental, já que desde o início, o objetivo era que o jogo atingisse com força o mercado americano.

Inicialmente, o Sonic teria presas, uma namorada humana "boazuda" e seria o vocalista de uma banda de Rock, além de ter uma aparência bem mais característica dos desenhos japoneses e ser mais agressivo. Quando o personagem chegou a SEGA Americana, a gerente de produtos, Madeline Schroeder, suavizou o personagem removendo todos esses elementos e dando o aspecto mais "bonitinho".

No entanto, as mudanças não agradaram nem um pouco a equipe de desenvolvimento e Schroeder teve que ir pessoalmente ao Japão para "racionalizar" do porquê o Sonic deveria seguir aquele estilo e, segundo ela mesma, "não foi um encontro agradável". No fim das contas, os desenvolvedores tiveram que ceder as mudanças, mas muito a contragosto. Em entrevista recente no documentário da G4 TV norte americana, o Yuji Naka disse:

"Na época eu odiei as mudanças, mas olhando para trás hoje em dia, entendo que foi uma das razões pela qual o jogo foi bem sucedido".

Com o jogo lançado em 23 de junho de 1991, ele se tornou instantâneamente um sucesso e em pouco tempo se tornou o título mais forte comercialmente do Mega Drive. Sucesso em vendas, a SEGA Americana continuou com seu marketing agressivo e colocou um comercial em horário nobre com duas TVs de 32 polegadas, que para a época eram enormes, comparando o Sonic The Hedgehog com o Super Mario World para o recém chegado Super Nintendo.

O consumidor olhava para ambos os jogos e via que o Mega Drive era mais barato, e que o jogo do Sonic parecia ser mais divertido do que o do Mario. A escolha do horário nobre veio propositalmente para atingir o máximo de espectadores o possível de uma única vez, já que a SEGA podia levar um processo da Nintendo e ter o comercial suspenso da TV, já que estava utilizando a imagem do Super Mario World sem autorização. No entanto, a Nintendo não só não processou, como "entrou na brincadeira" e passou a fazer comerciais ridicularizando a SEGA.

Com o sucesso em vendas, Tom Kalinske chegou a conclusão de que a única forma do Mega Drive superar as vendas do Super Nintendo seria incluir o jogo do Sonic junto com o videogame. Só que novamente, os japoneses não gostaram da ideia e dessa vez quem foi ao Japão foi o próprio Kalinske conversar pessoalmente com o presidente Hayao Nakayama. Segundo informações, Nakayama disse:

"Nós fazemos dinheiro com os softwares, ou seja, os cartuchos, e você quer colocar o nosso principal jogo junto com o videogame? Você só pode estar louco!"

Kalinske foi bem enfático de que essa era a única solução para que o Mega Drive superasse as vendas do Super Nintendo. Nakayama ficou nervoso, jogou cadeiras no chão, foi até a porta e disse para Kalinske: "Você acha mesmo que assim a gente derrota a Nintendo?! Então faça!" e bateu a porta.

A estratégia de Kalinske deu certo, e a Nintendo, pela primeira vez desde sua entrada no ramo de consoles, "perdeu seu reinado" e a SEGA ficou com 65% do mercado de videogames graças ao Sonic, que se tornou o mascote da empresa. Graças aos comerciais que comparavam ambos os jogos, as revistas da época que estimulavam a competição e cada um ser o símbolo de suas respectivas empresas, veio a rivalidade que todos nós conhecemos.

E você? De quem gosta mais? Do Sonic ou do Mario? 

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    artigos · 24 dias atrás · 1 ponto

    Parabéns! Seu artigo virou destaque!

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    muser · 24 dias atrás · 1 ponto

    Mario hoje, Mario amanhã, Mario sempre!!!

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    kess · 24 dias atrás · 1 ponto

    Nenhum dos dois, mas é bom ver que conseguiram fazer uma disputa saudável, mas que infelizmente uma das empresas perdeu força, mas não necessariamente por causa de seu rival...

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    jugemu · 22 dias atrás · 1 ponto

    Achei bem legal isso da Nintendo "entrar na brincadeira" de competir entre os mascotes. Acho bem legal quando duas empresas começam essas campanhas mais "agressivas" de zoar a concorrente. Saem coisas bem criativas... e se elas mantiverem certo respeito, quem ganha é o consumidor.
    Fico imaginando o quanto Mario e Sonic ganharam graças a essa competição. Devem ter ganhado muito na sua produção, nos jogos, na qualidade etc. As empresas devem trabalhar com mais afinco para fazer o melhor pelo seu jogo/mascote. Uma rivalidade que sempre os puxa para cima.
    E uma rivalidade que tornou Mario e Sonic ícones da cultura pop.

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    leandro · 18 dias atrás · 1 ponto

    "A estratégia de Kalinske deu certo, e a Nintendo, pela primeira vez desde sua entrada no ramo de consoles, "perdeu seu reinado" e a SEGA ficou com 65% do mercado de videogames graças ao Sonic" Mas isso não foi algo temporário, já que as vendas do Snes superaram as do Mega Drive, no fim daquela geração ?

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    lavosierdq · 18 dias atrás · 1 ponto

    sonic

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