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kleber7777 CRISTALESCUITE Featured

Sekiro: seria bacana uma dificuldade mais fácil

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A alguns anos atrás, começou a circular na internet uma pesquisa que dizia que 60% das pessoas compartilham links sem jamais lerem. Lembro que achei um absurdo na época. Como é possível? Mas de lá pra cá, deu pra perceber que isso é muito real. Principalmente com a consolidação do termo fakenews. Seja por pressa ou uma necessidade de apenas estarmos atualizados (sem o interesse de saber detalhes), todos nós estamos sujeitos a esse tipo de comportamento nas redes sociais. Obs: se você está lendo até aqui, muito obrigado. Você é foda.

Semana passada, começou a viralizar o título deste artigo da Forbes: "Sekiro: Shadows Dies Twice precisa respeitar os jogadores e adicionar um modo fácil". Vi muita gente compartilhar no Twitter. Sempre ironizando comentário do autor. O famoso "GIT GUD". No mesmo dia, li a fatídica matéria e logo percebi: as pessoas sequer leram o texto. Deixei o link acima para quem quiser ver por si próprio. Bloodborne foi uma das melhores experiências que o cara teve com jogos. Ele não é noob. Neste artigo, vou misturar alguns dos seus pontos e outros meus. Fica comigo, te garanto que vale a pena pensar sobre.

Primeiramente, preciso dizer que já terminei o jogo e já estou no processo da platina (quase terminando o NG+). Na minha opinião, Sekiro possui 3 fundamentos básicos:

1) História

2) Exploração

3) Combate

A FromSoftware fez mais uma obra prima em todos esses três pontos acima. Não importa qual desses atributos sejam seu favorito, você sairá satisfeito.

Depois de anos ganhando essa fama de produtora de jogos difíceis (algo bem ruim na minha opinião), existem muitas pessoas que até tem curiosidade em testar títulos da produtora, mas acabam passando longe justamente por causa do terceiro ponto. A pergunta que te faço: é justo alguém se privar de conhecer essas obras primas só por causa da dificuldade do combate?

Vamos analisar por dois lados: o da desenvolvedora e dos jogadores. A From tem todo o direito de vender seu produto do jeito que ela quiser. Conforme a visão da experiência que ela desenvolveu. Nesse ponto, o título do artigo não foi nada feliz.

Porém do ponto de vista de fã do título, gostaria que o maior número possível de pessoas jogassem. E aproveitassem da mesma forma que eu aprendi a apreciar. Infelizmente, isso é utópico. A dificuldade do combate (principalmente em Sekiro sem ajudas de level-up e co-op) é um agente que afastará muita gente. Isso é lógico. A questão é: e se fosse vendido um pacote que contivesse apenas a experiência original "história" e "exploração", as pessoas conseguiriam fazer proveito? Eu não tenho a menor dúvida que sim.

Nunca vou esquecer o sentimento de explorar cada canto do cenário de Bloodborne e encontrar os atalhos, os segredos e ir formulando em minha cabeça a história do jogo. Foi uma experiência incrível. Tenho certeza absoluta que teria saído felizão mesmo se estivesse jogado na dificuldade fácil.

O @edknight lembrou ontem de um vídeo que estava na minha mente quando estava pensando sobre esse artigo. Estamos vivendo uma época em que os desenvolvedores estão abrindo cada vez mais os olhos sobre o tema da acessibilidade. Não importa quais sejam suas dificuldades (seja motoras, visuais ou auditivas), cabe aos criadores tentar abraçar o maior número de jogadores possíveis. No vídeo abaixo, além de vários exemplos, ele detalha as liberdades em Celeste. 

Eu não joguei Celeste mas sei que existe um certo nível de dificuldade nas plataformas do jogo. Esse desafio foi cuidadosamente estudado pelo time de desenvolvimento para oferecer a melhor experiência do jogo. Porém, egos a parte, eles sabem que o mais importante é alcançar o maior número de jogadores possível e passar a mensagem do jogo (que é bem foda). Para isso, valeu a pena oferecer várias opções de configuração, para que o jogador escolha qual a melhor forma que ele queira jogar.

Estamos vivendo um tempo em que vários jogos estão se preocupando cada vez mais com isso:

- Darkest Dungeon possui um desafio alto e uma aventura inesquecível. Mesmo assim, em seus menus é possível desativar uma série de dificuldades da aventura.

- Overwatch além de já ter um trabalho incrível de acessibilidade (com recursos de áudio e visual), foi adicionado a pouco tempo várias opções de modos de cores, ajudando pessoas com certos graus de daltonismo.

- A Microsoft tem feito um trabalho incrível com seus controles adaptáveis para pessoas com os mais variados tipos de deficiência.

Eu poderia ficar um tempão aqui citando tantos outros exemplos. Mas vamos a um outro ponto importante: horas investidas. Veja, eu sou uma pessoa "privilegiada" quanto a tempo que posso dedicar a jogos. Não sou casado, não tenho filhos e, no momento que jogava Sekiro, eu estava desempregado. Ou seja, tempo pra mim não era um problema. Mas essa não é uma realidade pra maioria.

Quantas pessoas que já conheci que estavam adorando The Witcher 3 ou Metal Gear 5 no início mas nunca foram até o final por causa da duração desses títulos? Isso é muito triste. Em Sekiro, esse ponto é um fator crítico. Nem todo mundo vai ter a paciência pra gastar 5 horas de treino pra finalmente conseguir vencer o chefe final como eu fiz.

Não existe nada de errado em Sekiro ter uma dificuldade mais fácil. Aos que escolherem seguir o caminho árduo idealizado pela produtora, a recompensa final não será diminuida se alguém conseguiu também chegar na conclusão com uma série de facilidades. Eu quero mais é discutir com outras pessoas sobre esse universo incrível que a From criou.

Lembre-se que não estamos discutindo sobre cotas pra entrar na faculdade. Estamos falando sobre videogame. Apenas uma obra de entretenimento. O importante é que mais pessoas aproveitem.

Se alguém viesse me perguntar: "em qual modo eu devo jogar?". Eu sempre vou recomendar o desafio original. O aprendizado e o desafio que tive nunca serão esquecidos. Mas se não for a condição ideal, é sempre legal o jogador ter opção de escolher como jogar. Seja mais fácil ou mais difícil.

Sekiro: Shadows Die Twice

Platform: Playstation 4
87 Players
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35
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    kratos1998 · 17 days ago · 5 pontos

    Eu cheguei a ler o texto do cara, e A parte da acessibilidade faz total sentido. Eu entendo que a história é ponto forte de todos esses jogos, mas eu sinceramente teria aproveitado menos deles se eles fossem mais fáceis, o q eu quero dizer é que se eles tivessem um modo fácil, a minha discussão com qualquer jogador q tenha zerado no fácil n seria tão acalorada, pq certamente q no modo fácil o cara n ia explorar cada canto pra ver quais itens pode ajudar, n ia pensar estratégias diferentes pra matar um boss e por aí vai. Quanto ao fato de ser arte, isso existe desde que a própria arte existe, tem muito filme por aí que é muito cabeça e portanto inacessível para alguns(Eu me incluo aqui), são filmes difíceis demais pra entender, acho q vc n pode pedir para o diretor facilitar essa experiência se essa sempre foi a visão dele. Mas se fizessem um modo easy ou normal para os jogos da From Software, eu n me poria nem menoaprezaria quem jogou em tal dificuldade, trataria como um parceiro de guerra igual kkkk. Mas já que essa discussão chegou, a From Software podia testar pra ver se o público aumentava ou diminuía, via as opiniões de quem jogou no fácil e etc. Mas gostei do seu texto e A discussão é totalmente válida!

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    artoriasblack · 17 days ago · 4 pontos

    Olha, li o seu texto e com o respeito, não concordo com ele. os jogos da série Souls (Bloodborne incluso ) tinham aquele nível de dificuldade de aprender/decorar o padrão dos inimigos para poder avançar e a maioria dos jogadores está satisfeita com o Sekiro. Sei que a intenção é boa de desejar um "modo Easy" no jogo para quem não tem tempo ou deficiente, mas...é questão de se adaptar. Você não espera um pessoa obesa morbida num clube de atletismo ou alguém que não sabe cantar ou tocar numa banda? É dificil, mas se a pessoa não se esforçar para estar naquele grupo seja de esportistas, gamers, jogadores de xadrez e entre outros exemplos. A pessoa se quiser jogar MUITO Sekiro ou qualquer outro jogo, ela encontrará uma maneira de fazê-lo.

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    armkng · 17 days ago · 3 pontos

    Li todo o artigo e entendo seu ponto de vista...
    porém, o criador da série Souls, Hidetaka Miyazawa, ele sentiu falta muito da dificuldade dos games nos dias atuais.
    Ele iniciou o projeto dele com Demon's Souls, no qual não entrou muito aos braços da galera, mas foi na série Dark Souls que ele colocou não uma dificuldade, mas uma penalização que toda a série possui, muitos adoraram este tipo de jogatina, pois fica muito maçante você optar em colocar no Easy Mode e o inimigo servir de saco de pancadas e não mover um dedo sequer para bater em ti...
    Colocar um menu e você colocar a dificuldade que quer, só pq acha difícil e não consegue passar, não acho que será uma excelente escolha, o que pode atrair outros players a jogar Sekiro ao mesmo tempo irá afastar quem já ama a série...
    Ame-o ou Odeio-o, essa é a maior premissa dos jogos hoje em dia...
    E espero que a from software não coloque e nem lance uma atualização, só pq a galera não consegue jogar o game do jeito que ele foi criado...
    Paciência é uma virtude...
    mas nem todos possuem...

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    renanmotta · 16 days ago · 3 pontos

    O pior é que ele não é difícil haha. Talvez seja pela readaptação do combate.

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    johnny_bress · 15 days ago · 3 pontos

    uma coisa que desanimo nos jogos de hoje principalmente por ser mundo aberto, é a seta guia, em soul reaver, que joguei pouco mas acho um jogo maravilhoso, eu ficava perdido constantemente sem saber pra onde ir. Esse tipo de dificuldade acho otimo que a gente acaba explorando o jogo sem querer. É tao gostoso quando depois de a gente rodar tanto acaba encontrando o caminho que estava na nossa cara o tempo todo.

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    kess · 13 days ago · 3 pontos

    Mas e se a dificuldade for uma parte da experiência? Claro, a acessibilidade deveria ser levada em conta também. É difícil atingir um meio termo que agrade, já que em ambos os extremos (muito fácil ou muito difícil) não consegue ser algo extremamente agradável,

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    cristalescuite · 17 days ago · 2 pontos

    Entendo seu ponto mas acho que Sekiro como qualquer jogo "Souls" grande parte do foco e no combate e deixar ele mais fácil faria o jogo perder uma parte essencial dele, sim alcançaria mais jogadores mas também afastaria outros, a ideia de poder mudar a dificuldade pode ser mal encarada por muitos jogadores(talvez até por mim).

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    johnny_bress · 17 days ago · 2 pontos

    seria interessante eles voltassem a geração 32 bits, e colocassem cheats ao inves de colocar nivel mas faceis, era daora chamar as pessoas de noob por usar cheats "sendo que eu usava kk"

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    darlanfagundes · 15 days ago · 2 pontos

    Li o texto do cara e o seu e discordo completamente... por uma coisa básica... A IDENTIDADE da From Soft são os jogos desse tipo... Se alguém não gosta disso deveria simplesmente mudar de jogo...

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    raiden · 17 days ago · 3 pontos

    Olha eu entendo o seu ponto de vista mas não concordo com ele em alguns pontos. Como disse no meu post, eu não me incomodaria em nada se incluíssem um modo fácil e as pessoas jogassem nesse modo e vivessem felizes para sempre. Mas não concordo no caso de Sekiro da From Software. A proposta é justamente sair do padrão. Como eu opinei no meu post, o único problema que tive com a matéria foi o título sugerir que a dificuldade de Sekiro é um desrespeito aos jogadores. Não me incomodaria de ter um modo fácil o que não quer dizer que concordo. Sou do tempo em que sempre o jogador que tinha que se adaptar ao jogo. Hoje a esmagadora maioria dos games são desenvolvidos pra se adaptar aos jogadores. Ok. Mas no caso específico da From Software, especificamente Sekiro não concordo com um modo fácil. A proposta é justamente ter uma dificuldade elevada. Quando você tem que prestar um vestibular ou um concurso público, o que se faz normalmente? Chora igual a Forbes pra diminuir a dificuldade da prova porque essa dificuldade é um desrespeito aos candidatos e assim novos candidatos não terão a oportunidade de fazer essa prova OU a gente ESTUDA, tem disciplina pra chegar no objetivo e alcançar o sucesso e assim ter uma satisfação plena??? Enfim. Deixo aí pra refletir. Concordo também com o comentário do @juniorcomix. Não tem paciência, saco pra jogar? Simples. Não jogue. Tem trilhões de outros jogos excelentes pra aprendizado. Comece por Dark Souls 2 por exemplo que o mais fácil. Começar já de cara no Sekiro é a pior das ideias. A proposta do Miyazaki é: quer se aventurar nos meus jogos? Aqui terá que ralar! E eu mesmo que sou casado, tenha filha, só jogo pra valer mesmo fim de semana e não estou pedindo modo fácil. Lá atrás alguém pediu modo fácil pra Battletoads, Ninja Gaiden, etc...? Não. Porque nós nos adaptavamos aos jogos. Fica aqui apenas minha opinião.

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    edknight · 17 days ago · 3 pontos

    Primeiramente: "no momento que jogava Sekiro, eu estava desempregado" . Isso significa que já tá trampando, né? Se sim, que bom.

    Agora vamos para o elefante na sala: Eu reparei nessa última semana que não adianta, o fanboy da From é o jogador elite que não quer que ninguém mexa no mingau dele. E sempre os mesmos argumentos, que um modo mais acessível vai estragar a experiência, que "vai jogar outra coisa feita pra casual", ou que se a pessoa quiser jogar vai ter que se esforçar.

    Primeiro que acho que um modo acessível não prejudica em nada a experiência dos jogadores hardcore. Inclusive o Celeste, aí do vídeo, eu conheço muito fã de Dark Souls que ia pedir água jogando ele, é bem difícil. Eu terminei no modo comum, pegando todos os morangos e B-Sides que achei (ainda ficou coisa pra fazer, que são fases ainda mais difíceis, mas no momento tô sem notebook). Celeste é um jogo sobre sofrimento, sobre dificuldade, sobre superar as dificuldades. É um jogo que deveria ser opressor, já que assim como nós estamos sofrendo pra passar um puzzle, a Madeline está sofrendo pra subir a montanha e vencer seus demonios interiores. Ainda assim, um jogo que tinha motivos para ser ruim com o jogador, adiciona um modo acessível (deixando claro antes que esse não é "o jeito certo de jogar", mas se você quiser mesmo assim, vá em frente). E tenho amigos que não tem como terminar esse jogo normalmente, eles ligaram o modo Assist e se divertiram até o fim.

    O argumento "vai jogar outra coisa" nem sei se merece discussão. Como eu costumo dizer, jogos são uma mídia que deveria ser inclusiva, mas sempre é usada pra segregar e pra excluir. Se você não tem uma carteirinha de pro-gamer, nem vem pro meu clubinho de pessoas especiais.

    Enfim, a questão do esforço. Tem gente que não tem tempo, tem gente que não tem paciência. Pra alguns, se tiverem que ficar treinando pra aprender cada animação de cada inimigo, eles dropam o jogo em meia hora, assim como eu sou fã de JRPG mas detesto grind, e muito provavelmente largo um jogo muito "grindy" pelo meio, não porque não tenho habilidade pra isso, mas porque me falta saco. Ainda assim, como diria o grande Craque Daniel, "se você quiser, se você se esforçar, se você treinar, se você entrar de cabeça, se você se concentrar, nada garante que você vai conseguir". Tem pessoas que simplesmente não conseguem memorizar o timing de um parry, ou decorar animações de cada ataque de cada inimigo. "AH MAS EU JOGO E EU CONSIGO ENTÃO TODO MUNDO CONSEGUE" mas a pessoa esquece que ela joga há anos (provavelmente desde a infância) e já tem um domínio das bases gerais de um jogo, o que pra ela é fácil nem sempre é realmente fácil. E sinceramente, sendo a From uma produtora de nicho, como era com Demons / Dark Souls, não vejo nenhum problema se as pessoas tem Síndrome de Estocolmo e gostam de sofrer, mas para um jogo AAA como o Sekiro, aguardado e extremamente noticiado (e feito de tal forma para atrair um publico mais amplo que os adoradores da dificuldade idiota dos jogos anteriores) não funciona.

    No mais, eu acho que idolatrar a dificuldade dos jogos da From é tosco, e que a fanbase se doe demais quando o assunto é colocado em discussão, Acho que seria melhor se parassem de olhar para o próprio umbigo de elite, às vezes, e tentassem se colocar no lugar do outro por um instante para ver como seria benéfico. Mas com a empresa conhecendo seus fãs, eu acho difícil que algum dia sequer considerem um modo de facilitar o jogo para não ofender egos exaltados.

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    artigos · 17 days ago · 1 ponto

    Parabéns! Seu artigo virou destaque!

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