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brunothebigboss Bruno dos Anjos Seixas Featured

As ameaças passadas aos consoles caseiros

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A internet foi pega de tempestade no dia 19, com o anúncio do Stadia do Google. Ele não é um console e nem um serviço de streaming tradicional; na verdade ele é uma habilidade do Google quer permite que você jogue em literalmente qualquer lugar. Pelo Chrome e por um controle do próprio Google também, você pode se conectar ao Stadia e jogar um game em qualquer hardware com uma tela pelo streaming, que aguentará o jogo E os acessos graças aos poderosíssimos data centers do Google. Essa é a premissa básica do Stadia (pelo menos pelo que entendi) e que já vem causando debates pela internet.

Como esse tema é muito extenso, o dividi em 3 partes: as ameaças passadas aos consoles caseiros (apenas uma recapitulação breve para ter uma base; as chances de sucesso/fracasso do Stadia; e minha opinião pessoal do Stadia (acredito que tem a acrescentar)

Sem mais delongas, vamos olhar ao passado:

Anos 70-90: Arcades

Antes mesmo do surgimento dos consoles de mesa como conhecemos, exisitam os arcades, máquinas de fliperamas que rodavam jogos de maneira que só seria alcançada pelos equipamentos de mesa 20 anos depois de seu surgimento.

Duvido que alguém não saiba o que é um fliperama, mas caso não saiba, uma explicação breve: são máquinas com um hardware poderosíssimo, parecido com o PC, mas que é especializado para isso. Tem uma tela interna, carcaça personalizada (dependendo do jogo) e é da altura do jogador. Essas máquinas por muito tempo viveram em simbionte com os consoles, mas algo saiu errado durante os anos 90...

Por quê acabou?* Porque na 5ª geração de consoles, estes chegaram ao mesmo poder gráfico dos Arcades, cujos jogos poderiam ser portados aos consoles sem maiores dificuldades. Além disso, desenvolver para Arcades é bem mais difícil (pelo menos é o que eu suponho, já que não encontrei fontes oficiais que comprovem isso...) e os lucros das empresas vinham a conta-gotas por causa das fichinhas. Por fim, e isso é um achismo meu, o pessoal dos games simplesmente percebeu que os(as) gamers preferiam ficar em casa ou levar um portátil do que se deslocar até um local especializado em games, sendo um dos motivos para deslocar a produção. Pode ser triste para alguns, mas estes são os motivos mais prováveis por trás disso

*Acabou no Ocidente, pois no Japão ele continua firme e forte, ainda que seja na forma de... pachinko

Anos 80-2000: Controles de Movimento

O Clássico Wii Mote

Como todos nós vimos, o joystick não é o bastante para várias desenvolvedoras, já que elas tentaram se expandir para além dele. E a primeira das fronteiras a serem usadas foi o próprio corpo, AKA, os controles de movimento! Que começaram ainda mais rústicos dos que os de hoje, como tapetes de dança ou coisas piores...

Este vídeo do James Rolfe/AVGN (mentor involuntário do Sr.Wilson/Colônia Contra Ataca, outro cara que gosto muito, até mais que o Rolfe) mostra bem o que eram esses "controles alternativos" quando nasceram...

Mais tarde, os controles ficaram tecnicamente melhores e evoluíram bastante, tendo como exemplos maiores o Wii, o Kinect e o PlayStation Move. Mas os 3, no fim das contas, se provaram um fracasso...

Por quê fracassou? Porque mesmo em seu melhor, esses controles se provaram INCRIVELMENTE limitados na hora do principal da balança: jogar. O tipo de jogo dificilmente muda, e quem não gosta ou curte mais outros estilos está condenado, porque ou não tem, ou os que tem funcionam incrivelmente mal (Kinect que o diga!). Há quem diga, inclusive, que esses controles tinham, SIM, potencial para entregar mais, só que os desenvolvedores não souberam lidar com eles, por inexperiência e/ou falta de visão. De qualquer forma, menos (joystick) acabou sendo mais

Anos 2010-: Realidade Virtual

Neuromancer, obra clássica de William Gibson a qual "criou o futuro", e dentre ele, a Realidade Virtual (VR ou RV)

Acelere para a década que está para se encerrar, e temos a Realidade Virtual, empreendimento que começou com o malfadado Virtual Boy da Nintendo. Com muito mais investimentos e tecnologia, as empresas prometem que desta vez será diferente, e os exemplos principais, como o PlayStation VR, Oculus Rift, entre outros (apesar que o mais falado e mais bem-sucedido é o PSVR, e mesmo assim tem alguns problemas...) galgaram grande espaço na mídia e nas conversas do meio, abrindo espaço para mais lançamentos. Mas ainda assim, eles não parecem ter decolado...

Por quê estão apagados? Por que a tecnologia é cara, e assim como os Wii Motes da vida, os desenvolvedores são inexperientes a respeito. Além disso, esses óculos são demasiadamente desconfortáveis e podem até causar sintomas diversos a quem estiver usando. Além disso, há uma questão mais séria por trás disso: muitas pessoas (eu incluso) não gostam de uma imersão tão alta assim, e ainda preferem o mínimo de fronteira entre a Realidade Real (ou seria "Real"? Mas isso já é um debate eterno...) e a "Matrix" dos videogames. Há até quem discuta as consequências desse (aparentemente) iminente "apagamento" de fronteiras...

E hoje?

Bom, temos o Stadia, que eu mencionei no início deste artigo, ainda sendo uma incógnita. Será  que ele vai mudar a história dos games? Ou vai ser um sucesso tão grande quanto o Google+ e o Glass?

Mas isso é algo que fica para uma parte 2...Mas só se vocês quiserem, é claro!

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    andre_andricopoulos · 8 months ago · 2 pontos

    Manda parte 2.
    Recebo STADIA de braços abertos, porém estou um pouco pessimista.
    ...

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    santz · 8 months ago · 2 pontos

    De acordo com seu artigo, você deve comentar o porque da tecnologia de jogos por streaming provavelmente não decole. Eu já vejo que esse é um futuro do qual não tem por onde sair.

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    pauloaquino · 8 months ago · 2 pontos

    Esse Stadia VAI MICAR!
    Vai micar... ...mas não a ponto de causar um novo "crash" que alguns por aí vislumbram.
    O rádio não desapareceu depois que a televisão foi inventada, eu sempre digo.

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    armkng · 8 months ago · 2 pontos

    gostei do artigo man, parabéns
    com relação aos fliperamas, eles foram sim superados pelos consoles caseiros, e uma boa parte dos pais se preocupavam com seus filhos indo a locais "nada agradáveis", o que acabavam sendo mal influenciados a outras pessoas de má indole (graças a Deus não passei por isso)
    mas de fato os fliperamas não eram locais que eram vistos com bons olhos, e muitos deles foram caçados por vários anos aqui e sendo fechados, uma por pessoas nada amistosas, locais para delinquentes e usuários de drogas...
    outra parte foram fechadas por estarem próximos a escolas, o que não é permitido...
    com a nova geração de consoles, muitos deles foram portados para o console caseiro, o que dispensa o uso de fichas, gastos em excesso, e um ambiente amistoso (que é a sua casa) para vc e seus amigos.
    bom essa é a minha opinião, mas vamos esperar o que o Stadia terá para fornecer nós gamers...só a google dirá com o tempo e seus lançamentos de jogos e novidades...

    2 replies
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    guicarneirol · 5 months ago · 2 pontos

    @brunothebigboss cara eu criei uma rede social para gamers com foco principalmente na galera que gosta de escrever sobre o universo de jogos. Eu te acho um cara irado que escreve muito e seria uma honra se quisesse dar uma passada lá! pyre.com.br

    Por sinal se tiver qualquer sugestão ou reclamação pode falar comigo, todo feedback é muito importante para melhorar ainda mais a comunidade =D

    2 replies
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