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Vamos falar sobre preservação...

Estava pensando se postava este texto ou não, mas decidi postar pois consegui fazer um link e analogia com minha área (de games obviamente)...

Acredito que todos aqui estejam sabendo do que rolou com o Museu Nacional, das perdas inestimáveis, e tudo mais, isso já foi marretado por todos os lados e mídias... Bom, acredito que quem me conhece saiba, não é o tipo de lugar que frequentava, e nem que pensava em frequentar, mas é o lugar que qualquer pessoa com certo bom senso conhece a importância, e vendo as fotos é o tipo de lugar que eu penso: “Eu poderia ter visitado, parece interessante”.
Mas não estou aqui para falar dele, e das perdas, não diretamente, mas sim de uma campanha que tem rolado na net, sobre preservação, e que nem sempre tudo é perdido...


A Campanha

Pelas redes algumas pessoas começaram a compartilhar fotos de uma campanha para recolher a maior quantidade possível de material fotográfico e em vídeo das exibições do Museu, criando um acervo histórico visual, de tudo que foi perdido.

O “problema” é, não cheguei a uma “origem” da campanha (a imagem diz ser dos alunos, mas como só vi isso sendo compartilhado no instagram não achei um "ponto de partida"), uma imagem compartilhada em redes sociais, com um e-mail que parece “de fundo de quintal” tem levantado a sobrancelha de muitos que questionam coisas do tipo: “Mas será que isso é do pessoal do Museu mesmo?”, “Mas será que fotos adiantam se o material foi perdido?”, “Isso nunca vai recuperar o perdido”... E sim são questionamentos válidos... ou não...


Preservação da história dos games e o poder do “Fundo de quintal”

O que muita gente não ligada aos games talvez não saiba, é que existe uma ampla comunidade de pessoas que preserva a história dos games, e a maioria destas pessoas, ou é, ou se iniciou no “Fundo de quintal”. Entrei em contato com este mundo mais por vídeos como alguns do LGR e CUPodcast, no Brasil tivemos publicações dedicadas a isso pela editora Europa, assim como os livros de Marcus Vinicius Garrett Chiado, e o documentário pelo mesmo junto a Artur Palma. Em meio a este documentário, e a história especifica dos games no Brasil me recordei das revistas de minha infância, o que me fez começar minhas pesquisas sobre revistas como a CD Expert, Big Max, entre outras, me levando ao site Datassete um site dedicado a preservação de material de equipamentos clássicos, manuais, revistas, livros, especificações técnicas, propaganda, etc... Eu, mesmo sem conhecer a área ou as formas levei dois anos pesquisando sobre as revistas em questão, e reunindo material, continuo pesquisando e finalmente encontrei uma maneira de ajudar nessa questão... mas isto é para outra hora...

A questão é, protótipos, anúncios, história, sucessos, derrotas, quem esta construindo essa história são os fãs, é o “Fundo de quintal”.

E o que esses “joguinhos” tem haver com as perdas históricas do Museu?

Na verdade, mais do que se pode imaginar... Alguns dos questionamentos sobre a tal campanha são “Mas será que é o Staff do Museu”... e não precisa ser, todas as pessoas podem ajudar a preservar estes marcos, todas as pessoas podem ajudar a preservar a história, a cultura... Um grupo de estudantes, professores, entusiastas, podem querer ajudar a reunir e preservar essa história. Até uma pessoa que teve seu interesse despertado pelos acontecimentos recentes e imagens, pode ter o interesse de querer conhecer mais e compartilhar este conhecimento. A morte do simbolo, da estrutura, e do material pode ser triste, mas o conhecimento que ele gerou é para sempre, se as pessoas não deixarem que ele se perca...

E as pesquisas/pesquisadores/items, fotos não podem substituir a experiência.

Não, assim como emuladores nunca vão substituir 100% os consoles, como PDFs nunca vão substituir 100% nossas revistas ou mp3 nunca vão substituir nossos discos... A preservação da “forma” do conhecimento é a mais difícil, da experiência... Muitos itens não poderão ser contemplados em toda a sua beleza, talvez com tecnologias novas nós pudêssemos chegar a novas descobertas que com a tecnologia atual não podíamos, e sim, sempre existe uma perda neste sentido, mas em uma situação ruim, é sempre bom tirarmos o melhor, do que jogar todas as conquistas atuais no lixo...

A parte mais triste vai exatamente para os itens que ainda estavam em análise e pesquisa, e aos pesquisadores que perderam seu trabalho, seu equipamento e seu local... Algumas coisas talvez nunca possam ser repostas, e as pesquisas não relacionadas, que possam ser reiniciadas, vão sofrer atrasos, e como nosso país anda, talvez sejam exterminadas, dependendo de outro grupo iniciar, ou de se transformar em outro “fundo de quintal” por paixão...

E a conclusão...

Não estou dizendo para não lamentar, para não ficar triste, chorar... Algumas pesquisas podem ter sofrido perdas inestimáveis, assim como algumas pessoas podem ter sido privadas de uma experiência espetacular... Mas o conhecimento que essas pesquisas e experiências trouxeram são eternas enquanto as mantivermos preservadas...

A história do nosso mundo muitas vezes é descoberta por itens e artefatos, porém boa parte desta história também foi mantida pela tradição verbal, pelas “gravuras” e pela escrita. Então quando a ficha terminar de cair, levante e preserve... Envie fotos para a campanha, poste fotos nas suas redes, fale sobre, escreva sobre, compartilhe seu conhecimento, sua experiência...

O que foi perdido pode nunca ser recuperado... Mas o conhecimento nascido da descoberta pode sempre ser preservado...

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