2017-09-28 17:18:27 -0300 2017-09-28 17:18:27 -0300

JOGADORES CASUAIS, COMPETITIVOS E SUAS RELAÇÕES COM AS VENDAS DE JOGOS

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Brothers, antes de tudo preciso replicar para vocês alguns pontos importantes sobre Street Fighter V (que foi o título que me motivou a escrever este artigo) e certas opiniões muito bem colocadas por um brother aqui da rede (eterno advogado de defesa desse jogo), que me convenceu a respeito de vários aspectos positivos da obra:

Entre estes pontos posso destacar o fato de que, sem sombra de dúvida, Street Fighter V é o título da série mais completo e com mais opções de gameplay disponível atualmente - não no lançamento, mas atualmente! 

Ele não possui ainda o velho Arcade Mode mas, na soma de todos os modos de jogo já disponíveis ele é de longe o mais completo - inclusive com mais opções de jogos off-line que seus antecessores!

Outra incrível característica do jogo até o momento (que eu particularmente já considerava bacana) é a ideia do Fight Money, que possibilita que você consiga todas as DLCs do título de maneira gratuita – basta jogar! Eu basicamente não sou fã de jogos de luta e, por isso, não teria paciência (muito menos habilidades) para conseguir números suficientes dessa grana virtual para comprar muitas coisas, mas eu adoraria ver esta mecânica replicada em franquias que gosto, como Resident Evil por exemplo, ou Devil May Cry.

E por fim temos o Cross Play entre plataformas que, sem medo de errar, é uma das melhores alternativas para aumentar a comunidade ativa do game e ajudar a manter as partidas onlines vivas por muito mais tempo.

E é verdade aquilo que ele fala também sobre jogadores casuais não sustentarem jogos de luta mas... Foi justamente aí que me veio a motivação para escrever este artigo. ^_^

Preciso esclarecer muitos pontos onde ainda mantenho meu pensamento discordante e, o mais importante, com exemplos válidos para sustenta-lo:

Jogadores casuais não sustentam jogos de luta?

Claro que não! Na verdade, eles não sustentam NENHUM jogo com foco no online!

Percebam entretanto que “sustentar” significa manter o jogo vivo por um longo prazo e é completamente diferente de “comprar” o game. Jogadores casuais não sustentam jogos com foco no online mas, sem sombra de dúvidas, são maioria nas compras!

Para corroborar com meu ponto de vista, a quarta edição da Pesquisa Games Brasil (2017) traçou mais uma vez o perfil dos jogadores casuais e comparou com o perfil dos jogadores “hardcores” (ou, como preferirem, competitivos).

Para mim, que sou jogador casual (quando se trata de jogos de luta), o que a pesquisa mostrou não é novidade, mas vale compartilhar este paralelo com vocês, para que entendam meu ponto de vista:

Mas como eu posso saber disso? Como posso saber que a maioria de jogadores que compra um título é casual?

Primeiro de tudo, essa é uma regra para TODOS os tipos de entretenimento e arte (e videogames se encaixam nestas duas áreas).

No cinema, por exemplo, a grande maioria das pessoas que vai assistir aos filmes da Marvel são expectadores casuais, que não conhecem a fundo a história de nenhum herói apresentando e, talvez, mau tenham lido uma revista em quadrinhos.

Nos esportes a grande maioria fica em casa, assistindo algumas partidas, torcendo pelo time preferido... A maior parte dos expectadores sequer foi à um estádio na vida e nem mesmo praticam o esporte nos momentos de lazer.

Em exposições de arte a minoria realmente conhece o artista e suas obras e sabem o significado real de quadros que, ao olhar de um mero apreciador casual, são apenas belos desenhos ou horríveis rabiscos.

E em jogos de vídeo-games com foco no online?

Ao invés de responder diretamente, vamos apresentar números para sustentar que a realidade é a mesma. Vamos primeiro analisar Street Fighter V (já que, como eu disse, ele me motivou a escrever o artigo) e dar uma olhada nas listas de conquistas do título na Steam:

O que essa informação nos mostra? Vamos supor que mil pessoas compraram o game na Steam; essa informação nos mostra que, mais de 500 pessoas sequer jogaram 10 partidas onlines!!!

Prestaram atenção?!

Do total de pessoas que compraram o game na Steam, mais da metade delas está cagando para o multiplayer online do título e nem mesmo chegaram a jogar 10 partidinhas! E porquê? Bem, porque elas não curtem mesmo. Preferem multiplayer local ou modos de jogo offline.

E se você ampliar a pesquisa para 50 partidas, os números vão aumentar exponencialmente.

O mais interessante é que esses dados confirmam a pesquisa realizada e exibida acima, que mostra que, mesmo estre os players hardcores/competitivos, um pouco mais da metade joga online (o restante se dividem entre jogadores de facebook e aqueles que jogam offline).

Isso também é válido para jogos como Call Of Duty e Battlefield, assim como jogos de celulares. As conquistas estão lá na Steam para livre consulta. Se vocês forem ver a do Street Fighter IV por exemplo, irão mais uma vez comprova o fato de que, a maioria que comprou o jogo mau jogou algumas partidas onlines.

E isso apenas valida meu argumento ao mesmo que também valida o argumento do brother (mas com alguns adendos): Publico casual não sustenta jogos de luta (isso é fato), assim como não sustenta nenhum outro jogo com foco no multiplayer; mas serão sempre a maioria compradora; seja em jogos de luta, seja em outros jogos onlines (isso também é fato!).

Basta ver Dark Souls III por exemplo, jogo totalmente voltado à jogadores hardcores/masoquistas, e também aos fãs de longa data da série (é fã service do começo ao fim!). Dai, quando você vai ver quantas pessoas conseguiram matar o primeiro chefe, você vê isso:

Mais de 40% das pessoas que compraram o jogo não conseguiram nem mesmo matar o primeiro chefe! Se 1000 pessoas compraram Dark Souls III na Steam, mais de 400 delas, muito provavelmente, era composta de jogadores casuais!

Agora você pode argumentar comigo que isso mostra que estou errado e, ao menos com Dark Souls III, a maioria comprante não foi de players casuais. Mas eu ainda não acho que isso quebre a regra não, afinal nesse game você pode pedir ajuda de outros jogadores para vencer o boss, e existem alguns veteranos que ficam online apenas para isso (dar um suporte aos novatos). Dai quando eu analiso isso eu vejo que, mesmo com a ajuda de outros jogadores, 40% de todos os compradores não conseguiram passar do primeiro chefe! Isso apenas me fala que, entre os 66% que conseguiram matar, deve haver uma galera casual ali, misturada e escondida, que só conseguiu vencer essa tartaruga de gelo gigante por causa de um bom samaritano. Você pode discordar de mim nesse ponto, mas aqui mesmo no Alvanista eu já cruzei com vários jogadores que só terminaram Dark Souls porque tiveram ajuda de outros players em algumas batalhas.  ^_^

Por isso, para um jogo vender bem, ainda que o foco dele seja “vida à longo prazo”, irá precisar oferecer atrativos para os dois públicos. Mais ainda para o casual do que os competitivos, pois os jogadores casuais querem apenas jogar um pouco, terminar o que tem para ser terminado e partir para outra (eles não têm paciência de ficar esperando atualizações ou futuras expansões – ainda que sejam grátis). Já o público competitivo é totalmente contrário: Eles têm disciplina e estão dispostos a esperar o tempo que for para ficarem cada vez melhores; eles aguardam pacientemente pela chegada de atualizações, expansões ou modos de jogo sem parar de jogar o título ou perder o foco.

Que tal agora falarmos sobre Marvel vs Capcom ?!

Bem, vejo que a galera anda fazendo paralelos entre as estratégias utilizadas para a venda do novo título da Capcom, tentando jogar a culpa das vendas baixas no público casual.

Mas uma coisa que a galera precisa entender é que o público casual SEMPRE será o responsável direto pelas vendas baixas de qualquer jogo (a não ser que ele seja de nixo, o que definitivamente não é o caso aqui)! Jogadores hardcores e competitivos são minoria entre o público e representam uma parcela bem pequena nas vendas (a pesquisa está lá, não sou eu quem está dizendo – só permanece cego aquele que literalmente não quer ver!).

Além do mais, as vendas baixas do novo título da Capcom apenas consolida uma sequência de vendas baixas em todos os seus lançamentos recentes. Eu também pesquisei sobre o assunto e vou apresentar números para comprovar e sustentar meu argumento:

Nos últimos dois anos para cá as vendas de todas as grandes franquias da Capcom caíram por terra e isso se deve à um acúmulo de fatores que, indubitavelmente, não dá para explicar em apenas um artigo (e o foco deste artigo aqui, é outro):

Resident Evil 7 (ainda não atingiu a meta de 4 milhões – mas está perto), Dead Rising 4 (ainda não atingiu a meta de 2 milhões – na verdade ainda não chegou nem a 1 milhão!!!), Street Fighter V (ainda não atingiu a meta de 2 milhões – mas está perto), Monster Hunter XX (ainda não atingiu a meta de 2 milhões – mas está perto) e, agora, Marvel VS Capcom Infinity: Todos estes jogos tiveram vendas abaixo do que era esperado pela Capcom (alguns em maior escala, outros em menor escala).

Nos últimos dois anos apenas os remasters de Resident Evil 4,5 e 6 lançados para Playstation 4 superaram as expectativas da desenvolvedora (ultrapassando, cada um deles, um milhão!). Por essa razão a galera pode esperar mais remasterizações vindo aí (promessas da própria Capcom).

Agora, basta pensar um pouco fora da caixa para concluir o pensamento em relação ao público que deixou de comprar os jogos:

Resident Evil 7 focou na opinião dos fãs e ignorou o gosto por ação e explosões do público casual. Resultado? Vendas baixas.

Dead Rising nunca foi uma franquia com pretensões de se tornar um Triple A e sempre focou no humor e na ação com mundo “meio aberto” para entreter os jogadores. Entretanto é preciso ter em mente que a Capcom foi meio “olhuda” com este game, afinal, nenhum jogo da franquia (com exceção do primeiro game) vendeu mais de 2 milhões de cópias. O terceiro título buscou uma abordagem menos humorada e acabou agradando menos que o segundo jogo (que apesar da galera gostar bastante, não superou o original em vendas). Logo o erro foi da própria Capcom ao fazer um investimento muito alto, com alta expectativa de vendas, para uma franquia que, mesmo quando estava no ápice, não atingia números tão altos.

Street Fighter V seguiu a lógica de Resident Evil 7: Escutou os fãs do jogo, melhorou o gameplay e o balanceamentos dos personagens, melhorou servidores para as partidas online e, em relação ao público casual, prometeu que modos de jogo mais completos seriam implementados ao título com o tempo. Só que o público casual, na grande maioria, não é paciente e, ainda pior: É totalmente influenciado pelas críticas de sites e revistas. A enxurrada de críticas negativas que o jogo recebeu pouco depois do seu lançamento, com a maioria delas argumentando que o game estava incompleto, esfriaram as vendas.

Monster Hunter XX é um jogo de uma franquia que não conheço ^_^. Por isso pouco posso falar sobre as vendas deste título. Apesar de ter pesquisado sobre o assunto, quando se desconhece totalmente um jogo ou uma série, é difícil formar uma opinião a respeito. Por isso, sobre este game, eu realmente preciso dizer que não entendo as razões por trás das vendas abaixo do esperado.

E chegamos ao Marvel VS Capcom Infinity que, assim como o novo Mass Effect, sofreu uma enxurrada de críticas negativas antes de seu lançamento. Os gráficos do game estavam muito abaixo do esperado (e o público casual, de uma maneira geral, foca muito em gráficos – como você pode ler e entender neste artigo que escrevi um tempo atrás), e alguns dos astros principais da série não estariam presentes (os X-Man).

A galera pode até argumentar que gráficos não importam, mas, na verdade, gráficos não importam para nós aqui da rede; que não fazemos parte da maioria; mas quando se avalia números de vendas, jogos mais vendidos ou títulos que ganham prêmios de melhores do ano, os gráficos estão sempre em destaque.

E por fim chegamos em Resident Evil 4, 5 e 6: 

O que esses jogos fizeram em comum? Olha só que incrível coincidência: Prestaram atenção no mercado e no gosto da maioria dos jogadores (que é casual), dando pouca atenção aos apelos dos fãs. Resultado? Venderam igual água, pois eram ótimos jogos de ação. Simples assim. Estes títulos agradam tanto o público que até seus relançamentos superam as expectativas! ^_^

Deu para ficar bem claro a relação entre os dois tipos de jogadores e o impacto que desenvolvem nas vendas e longevidade de um título? Número de vendas está diretamente ligado ao público geral (casual), enquanto a durabilidade de um título ao longo dos anos e sua consolidação fica com os jogadores competitivos e hardcores.

O público casual é um público que quer jogar um game, se divertir e depois partir para outro.

Enquanto o player competitivo/hardcore é dedicado, quer melhorar cada vez mais e crescer dentro do game.

Acho que não consigo ser mais claro do que isso né ?! Se, mesmo com todos os exemplos que eu dei, alguma coisa ficou meio obscura ou pouco clara, é só perguntar que vejo se consigo esclarecer melhor.

E claro: Se alguém souber os motivos para Monster Hunter XX não ter vendido o esperado (pois essa informação eu fiquei devendo) pode compartilhar nos comentários que eu aprecio a ajuda.

^_^

Agradeço pela leitura!

Resident Evil 2

Platform: Playstation
11195 Players
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    juninhonash · almost 2 years ago · 4 pontos

    Sou o Phoenix Wright do SFV! HAHAHAHHAHA

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    artigos · almost 2 years ago · 2 pontos

    Parabéns! Seu artigo virou destaque!

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    jailsonbraga · almost 2 years ago · 2 pontos

    Excelente!

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    myers · almost 2 years ago · 2 pontos

    Concordo com você, para mim os jogos de luta tem que ter um equilíbrio entre o publico competitivo e o publico casual, mas uma das coisas que mais me incomodaram no novo marvel vs capcom infinite foi a falta dos X Men, mas isso é mais culpa da Disney do que da própria Capcom.

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    seufi · almost 2 years ago · 2 pontos

    Um excelente artigo. pontual, conciso, equilibrado, bem-humorado, atacando, a meu ver, os prós e os contras. No caso brasileiro, tenho eu a opinião de que os jogos chegaram a um preço muito salgado. Falo do MvC e do RE:7. Sim, eu acho salgado um jogo chegar, em seu lançamento, na casa dos 200, 250, 300, 330 reais. No caso brasileiro, as vendas não tem como ser maiores, a meu ver, por conta disso.
    Claro que o seu artigo aborda vendas como um todo, mas em nível de mundo, a crie afetou, também, o mercado de games, como afetou todo o resto; pra compensar, a meu ver, houve uma elevação dos preços (pelo menos em terras brasileiras, já que o dólar fica o mesmo nos US, mas no resto do mundo tá de lascar)

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    seufi · almost 2 years ago · 1 ponto

    Entendo como casual o período de tempo que se passa jogando sim. Por exemplo, eu jogo "como um todo" diariamente, e não persigo conquistas, ou algo assim. Dessa forma, sou hardcore porque jogo com frequência. Minha mulher, por exemplo, também joga diariamente o Candy Crush dela, alguns minutinhos até ela dormir. Joga diariamente, mas eu não a considero hardcore, por quye ela passa muito mais tempo no Netflix, por exemplo, que ao que parece é o entretenimento preferido dela. Por outro lado, em gêneros específicos, como o de luta, por exemplo, jogo muito raramente, ou seja, sou totalmente casual. Até gosto desta definição, porque corra você atrás de platinas, ou não, pulando de um jogo pra outro, ou no mesmo há anos, um frequência de pelo menos 4, 5 dias por semana, jogando, qualquer tempo que seja, demonstra que os games são parte da sua vida, e não algo casual que você liga numa fila de esperar, desliga quando o médico chama e só volta a ligar em algum momento de tédio. Talvez o autor da postagem tenha definido hardcore como aquela que joga com frequência, no sentido de que games são sua opção de entretenimento preferida, enquanto casuais não encaram games como a opção principal de entretenimento...

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    kess · over 1 year ago · 1 ponto

    Casual sempre é o maior mercado, mas quem mais reclama e exige são os hardcore...
    Eu jogo com uma frequência menor do que gostaria, apesar de após minha separação ter arranjado mais tempo para isso. E vou atrás de conquistar, sou competitivo nesse sentido, pego um jogo e vou até o final com ele. Platinando, se possível. O que faz minha lista à jogar sendo cada vez maior do que dos games jogados...

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