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arbitergamer Cesar Borges da Silva

ARCADE'S DREAM

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O ano era 2002. Procurar lugares onde pudéssemos jogar um bom fliperama e tomar um refrigerante com os amigos sempre foi normal pra nós. Mas nessa época, pelo menos no Brasil, nosso amado hobby já estava em decadência e na nossa região não era diferente.

Era raro encontrar locais onde pudéssemos jogar tranquilamente com controles decentes e sem bêbados enchendo o saco.
Numa dessas tentativas, encontrei um boteco pequeno que parecia esconder algo no seu interior. O formato daquela coisa era muito familiar, e ao me aproximar, não tive dúvidas: era exatamente o que procurava encostadas num canto, aparentemente funcionando.

Pra nossa decepção, eram jogos desconhecidos e muito chatos com controles sem botões e com a tela horrível pra se jogar.
A senhora, dona do estabelecimento, me disse que essas máquinas foram colocadas ali por um sobrinho que não tinha espaço em sua casa e que venderia pra quem quisesse tivesse interesse.

Frustrados, saímos daquele local e voltamos pra casa.
Mesmo tendo consoles da época, ou até mesmo computadores que rodavam games do momento, sentíamos a necessidade conviver com os arcades. Isso era tão importante que muitas vezes deixávamos os consoles de lado pra jogar os clássicos. Isso aconteceu muito na última locadora do bairro antes dela fechar as portas.

Lá, tínhamos consoles pra jogar por hora e muitos fliperamas e meu interesse maior era sempre pela caixa grande de madeira e seus jogos cooperativos ou seus jogos de luta com contras acirrados. Aquele local era mágico. Uma pena que acabou
Num certo dia, caminhando pelo bairro, notei uma movimentação estranha num ponto de comercio.

Vi que um caminhão descarregava caixas enormes e fiquei curioso com aquilo. Mas não era da minha conta e naquele momento não me importei.

Outro dia um conhecido me chama em casa e me diz pra ir dar uma olhada naquele local. Chegando lá, fiquei surpreso: eram máquinas de árcade sendo montadas! Algumas estavam prontas e não pude deixar de notar o capricho que elas tinham, com seus adesivos personalizados sem exagero e seus controles cheirando a novos.

Conversando com o dono, que não parava seu trabalho, mas nos atendia, dizia que era um super fã de fliperamas e estava realizando um projeto antigo: o de fazer a casa de jogos que ele sempre quis! Obviamente isso era tudo que nos queríamos também, pois teríamos um ótimo local pra jogar nossos games favoritos. Ao perguntar pro dono quando seria a inauguração, ele me disse: Será em 2 semanas, porém precisarei fazer um teste em tudo antes. Você gostaria de me ajudar?

Claro que aceitei. Jamais perderia essa oportunidade de testar em primeira mão os jogos em máquinas novas e estilosas.
Alguns dias depois, cheguei à frente da loja e vi que o dono não estava pra brincadeira: uma fachada linda e iluminada, com uma pintura impecável e temática que realmente chamava bastante atenção e quando entrei fiquei impressionado.

Os arcades eram padronizados, devidamente alinhados dos dois lados da sala com seus respectivos logos, só algumas destoando das outras por serem arcades especias para 3 ou 4 jogadores, como aquela máquina linda de Cadilac and Dinossaur, e aquela maior de Time Crisis.

Tudo era muito bem feito, com detalhes que somente um amante dos fliperamas poderia fazer. Todas as máquinas tinham instruções de como jogar e aqueles adesivos com os golpes dos personagens, controles e botões novos e telas grandes e bem nítidas.

Nunca tinha visto algo tão grandioso quando o assunto é fliperamas. Essa era a proposta do dono: Ser diferente de tudo que existia até então e fazer daquele um local onde os verdadeiros gamers pudessem se reunir e jogar. Joguei muita coisa boa lá, mas Mortal Kombat 1 foi inesquecível!

A máquina tinha detalhes dos personagens nas laterais e uma tela perfeita. Dava gosto de jogar e testar, já que eu estava ali pra isso. Testei todas as máquinas pra ver se estava com os controles perfeitos e nada estava falhando. Sistemas de fichas e tudo mais.

Ainda tirei “um contra” com o dono do fliper em Samurai 2 e antes de terminar, eu disse que convidaria todos os meus amigos para a inauguração e antes de terminar eu precisava testar a última maquina, que por sinal era um dos meus games favoritos: Capcon VS SNK. Linda! Perfeita! Mal deu tempo de escolher meus personagens e de repente escuto alguem batendo palmas e gritando:

COMBATE A DENGUE!

Acordei na hora!

Era o agente da prefeitura passando na minha rua e realizando inspeção nas casas.

Apenas mais um conto retrogamer. 

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