2018-07-30 20:13:08 -0300 2018-07-30 20:13:08 -0300
anduzerandu Anderson Alves

Registro de finalizações: Wonder Boy

Zerado dia 29/07/18

Das séries que eu tenho vergonha de dizer que nunca joguei nada, Wonder Boy sempre esteve entre os maiores destaques. É incrível como meus amigos jogaram e tem tanta nostalgia por jogos da SEGA da época, enquanto eu jogava um Sonic ali, um Golden Axe lá ou um jogo desconhecido no meio. A verdade é que meu contato de verdade com os consoles da empresa só veio com o Dreamcast e que só de poucos anos pra cá venho correndo atrás de conhecer o que ela tinha a oferecer, como foi o caso do Quackshot.

O Wonder Boy (WB) por outro lado é do tipo que todo mundo conhece e jogou e lançamentos recentes, como o Dragon's Trap ou o concorrente Monster Boy, estão aí pra lembrar que esses jogos são relevantes.

Um amigo em especial vem tentando marcar jogatinas desses títulos em grupo, mas o Switch, PS4, Lans de PC e board games não tem dado muita chance. Pelo menos não até sábado a noite, quando a ideia surgiu do nada.

WB é um platformer sidescroller, mas bem diferente de tudo que eu já tenha experimentado (apesar de me lembrar um pouco Alex Kidd). Você anda e pula e se coletar uma machadinha, poderá jogar infinitas mata matar seus oponentes. Segurando o botão desse ataque, você corre.

Parece simples, mas o jogo compensa isso com inúmeros detalhes que o deixam BEM difícil. Primeiro que você não pode pular em cima dos monstros, coisa que eu acabei fazendo mais do que eu imaginaria até o final do jogo. Nunca encoste em ninguém!

Depois que o protagonista morre com apenas UM HIT. Eu odeio isso.

Pra complicar ainda mais as coisas, o controle do personagem é horrível! Cair num espaço entre duas chamas ou rochas é um sacrifício pois qualquer toque a mais no controle faz com que você se mova demais, tanto no ar quanto no chão. Os pulos são piores ainda: muito baixos se você não segurar o impulso e difíceis de serem controlados quando estamos correndo.

O jogo ainda tem um sistema que sua vida vai se acabando sozinha por fome e você tem que se preocupar em coletar frutas para se recuperar e evitar a morte.

Pensa que acabou? Encontrar o machado não é algo muito comum e o perder significa que sua próxima vida será sem nada!

Ah, parece óbvio. Se no Mario você cair num buraco, na próxima vida virá pequeno, não é? Mas imagine o seguinte: você passa de fase com o machado e por um vacilo encosta numa abelha e morre e volta ao início da fase. O jogo não quer nem saber e logo vira um inferno de pular e se esquivar de muitos inimigos e fazer comandos muito precisos e isso num jogo onde a jogabilidade é definitivamente ruim.

Agora imagine tudo junto: uma fase de gelo deslizante com duas aranhas penduradas e um pequeno espaço entre elas pra você pular, inimigos vindo na sua direção, tentar controlar o personagem e procurar um espacinho seguro e pronto, você encostou num foguinho porque o personagem tem mais graxa nos pés que o Luigi dos primeiros Marios (mais a adição de um pulo pior que Ice Climbers).

Não faltaram telas de Game Over, já que por default você só tem 3 vidas e dificilmente consegue outras adicionais. Felizmente os continues são infinitos e você só volta do início da fase (todos os estágios tem placas numerada de 1 a 5 que quando alcançadas funcionam como checkpoint).

As vezes o controle passava mais rápido do que o esperado com três mortes consecutivas de forma ridícula e isso por descuido. Descuido de não se lembrar de algumas armadilhas safadas que aparecem muito rápido na tela ou de não ter freado antes de algo cair na sua cabeça. Pois é, esse é um daqueles de muita tentativa e erro já que algo pode surgir do nada ou ser tão parecido com o fundo que você mal consegue ver.

Você vai agradecer quando aparecer um skate pra te levar rápido, um presente pra sua namorada ou sei lá te fazer pular partes do estágio ou um anjinho que serve como a estrela do Mario.

Odiei como alguns inimigos esperar você se aproximar demais pra agir, como os morcegos que ficam no teto e despencam pro chão quando próxima e te obrigam a pular. Mas vou dizer que amei que bugs gráficos mostram coisas como plataformas que caem ou se movem haha.

O jogo tava legal até os cenários começarem a ficar muito repetitivos. Você tem floresta, praia, caverna e palácio de gelo a todo momento, com os mesmos inimigos e pouca variedade de frutas e itens para te ajudar. Até os chefes são praticamente a mesma coisa! Tudo bem que é coisa da época, mas aqui é mais exagerado.

Mas você só vai começar a desgostar de WB quando perceber que os layouts das fases começam a se repetir, incluindo a posição dos inimigos e de mais obstáculos e com um pouco de sorte, uma pequena diferença aqui ou ali pra pior, só pra deixar tudo mais frustrante.

Progredir e mesmo terminar o jogo não foi nada compensador. Nada muda a não ser a dificuldade. Surge uma fase ou outra diferente aqui e ali, mas nas raras vezes, a gente pouco se importava pois a monotonia tomava de conta.

WB conta com 9 mundos e cada um com 4 estágios. Há um décimo com o último chefe de verdade se você coletar todas as bonecas escondidas do jogo, mas não vale a pena. O zeramento é uma porcaria de qualquer jeito e nem créditos tem!

Resumindo: Wonder Boy pode ser um passatempo bacana e conter um sentimento nostálgico para alguns, mas definitivamente esse primeiro jogo é algo que eu dificilmente digo sobre qualquer jogo: RUIM.

A série com certeza deve ficar muito boa depois já que a partir do dois ela já fica do jeito como imagino um Wonder Boy: um menino com uma espada explorando cenários por aí. Ao menos deixo uma curiosidade: esse jogo deu origem a série Adventure Island (percebe-se a gigante similaridade).

De bom: rendeu risos e um tempo relativamente bom de conversa com os presentes. Checkpoints nas fases e continues infinitos.

De ruim: deu problema até pra emular. Muito repetitivo. Sem carisma. A música é um looping infernal 90% do jogo. Level design super amador. Muita punição por nada. Poucos power-ups. Chefes sempre iguais também. Jogabilidade das piores possíveis. Frustrante e nada compensador.

No geral, jogar isso foi uma perda de tempo pra mim, mas valeu a pena o tempo com os bros e sobretudo, valeu a pena terminar um jogo que um deles sonhava e não conseguia quando mais jovem. Se recomendo? Obviamente não!

Wonder Boy

Platform: Master System
371 Players
2 Check-ins

13
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    filipessoa · about 1 year ago · 2 pontos

    Muito bom, parabéns!

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